Alimentos alternativos para Suínos

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    Suínos

Na suinocultura, viabilidade econômica de produção depende essencialmente da disponibilidade local e regional de alimentos a preços compatíveis com os preços pagos por quilograma de suíno. Sabe-se que o custo da ração representa, aproximadamente, 70% dos custos de produção, sendo que as fases de crescimento e terminação apresentam juntas, mais de 60 % dos gastos com ração (Fialho et al., 2009).

Os ingredientes mais utilizados na formulação de rações para suínos, milho e farelo de soja, sofrem constantemente variações de preço refletindo diretamente na margem de lucro do suinocultor e torna muitas vezes a produção de suínos economicamente inviável. Dessa forma, a busca por alimentos alternativos que atendam às exigências de nutrientes e de energia nas diferentes fases de produção a menor custo sem afetar negativamente o desempenho dos animais é uma necessidade para maior eficiência de produção e manutenção dos preços de mercado.

Neste contexto, pesquisas têm sido desenvolvidas com o objetivo de determinar as melhores opções de utilização de alimentos alternativos energéticos, protéicos e minerálicos, os quais além de proporcionar um bom desempenho produtivo e reprodutivo dos suínos, podem reduzir o custo de alimentação resultando em maior lucratividade ao produtor.

De acordo com Bellaver e Ludke (2004), as alternativas de alimentação de suínos disponíveis para uso direto nas granjas são restringidas aos macro-ingredientes de origem vegetal, que podem ser:

1) Essencialmente Energéticos: raiz de mandioca (in natura, silagem da raiz, raspa integral, farinha, farelo residual) e caldo de cana. O nível de proteína nesses ingreredientes é baixo, exigindo que seja aumentada a proporção das fontes protéicas, o que representa uma importante limitação. A raspa (seca) integral da raiz de mandioca em termos percentuais pode responder por até 50% da dieta. O caldo de cana apresenta em termos comparativos uma energia metabolizável de 3202 Kcal/kg quando expresso com um valor hipotético de 88% de matéria seca. Entretanto, este ingrediente é de difícil manejo e transporte, podendo até mesmo inviabilizar a sua utilização.

2) Energéticos idênticos ao milho: sorgo, milheto, grão de arroz e arroz na forma de quirera. Apresentam a possibilidade de substituição total do milho causando apenas pequenos ajustes na porcentagem dos demais ingredientes da ração. No mesmo grupo podem ser incluídas muitas sementes de gramíneas. Porém, algumas delas (principalmente as tropicais) apresentam valor energético muito menor do que o milho. A silagem de grão de milho úmido pode ser estrategicamente usada visando à redução em até 28 dias no tempo de ocupação da lavoura, e a sua inclusão nas dietas de todas as categorias de suínos pode ser realizada via substituição total do milho, desde que realizados os ajustes em função do teor de umidade, da maior disponibilidade dos minerais e, proporcionalmente a um mesmo nível de umidade, maior valor de energia metabolizável.

3) Fornecedores de energia com nível de proteína mais elevado do que o milho (pelo menos acima de 14%): farelo de arroz integral (muito sensível à rancificação), semente de girassol e soja integral inativada (tostada, cozida, extrusada). São os ingredientes que apresentam elevado teor de extrato etéreo e por esse motivo apresentam maior densidade energética. São recomendados para substituir entre 75 a 100% da proteína fornecida pelo farelo de soja em dietas para matrizes em lactação. A soja devidamente processada pode ser incluída em até 20% nas dietas nutricionalmente equilibradas a serem fornecidas para os leitões nas dietas pré-iniciais e iniciais. Para suínos em terminação o elevado teor de gordura insaturada afeta a qualidade da gordura na carcaça. A inclusão do farelo de arroz integral em rações para suínos em crescimento e terminação deve ser restringida até um máximo de 30% da dieta.

4) Fornecedores de proteína: farelo de algodão, farelo desengordurado de arroz, farelo de girassol e sementes de leguminosas, em especial o guandú. São ingredientes aptos à inclusão em dietas de suínos em crescimento e terminação e fêmeas em gestação, substituindo entre 50 a 75% da proteína oriunda do farelo de soja. Como regra geral as sementes de leguminosas apresentam, em níveis variados, fatores antinutricionais que devem ser adequadamente inativados (exceção feita para a ervilha).

5) Fornecedores de proteína com baixa energia: feno de leucena e feno da folha de mandioca que podem substituir parcialmente o farelo de soja. São ingredientes preferenciais para serem incluídos em proporção definida (no máximo 10%) nas dietas de fêmeas em gestação porque apresentam elevado teor de fibra bruta e baixa densidade energética.

Limitações na utilização de alimentos alternativos

A presença de fatores antinutricionais nas rações dos animais monogástricos que podem diminuir a digestibilidade dos nutrientes, afetando o consumo e o desempenho animal é uma das maiores limitações na utilização de subproduto de origem vegetal ou animal. Além disso, o processamento para inativação dessas substâncias antinutricionais nem sempre apresentam resultados satisfatórios e muitas vezes o custo desses procedimentos pode tornar o emprego desses alimentos economicamente inviável.

Um exemplo dos compostos antinutricionais são os chamados polissacarídeos não-amídicos (PNA) que encontra- se nos grãos de cereais. Os PNA são resistentes a hidrólise no trato digestivo dos suínos devido à natureza das cadeias de ligações das unidades de açúcar. Celulose, ß-glucanos e pentosanas são exemplos de PNA. A presença desses compostos leva a diminuição no trânsito intestinal e na digestibilidade dos alimentos por aumentar a viscosidade no interior do intestino e por diminuir o aceso de enzimas digestivas ao bolo alimentar. Também pode haver a presença de hemaglutinina e taninos, nas leguminosas, e sua desativação só ocorre pelo processamento dos grãos.

Com a diversidade da natureza química dos compostos antinutricionais, estes podem ser melhores classificados com base no tipo de nutrientes que afetam direta ou indiretamente e no tipo de resposta biológica produzida. Chubb (1982), dividiu-os em dois grandes grupos:

Para superar os fatores antinutricionais têm-se utilizado enzimas digestivas como catalisadores da digestão com o objetivo de melhorar o valor nutricional dos cereais. As principais são as celulases, pentosanases, beta-glucanases, xilanases, fitases e outras, que não são sintetisadas pelos não ruminantes. Entre os vários benefícios da ação das enzimas exógenas adicionadas às rações de suínos destacam-se: efeito sobre a parede celular das fibras provocando sua ruptura; redução da viscosidade intestinal provocadas pelos PNA; eliminação de fatores e propriedades antinutricionais e melhora na digestão do amido e proteínas aumentando a retenção de energia e o desempenho produtivo dos animais.

  • Ronan Carlos Saraiva Santana

    Ronan Carlos Saraiva Santana

    Zootecnista e MSc. em Nutrição Animal do Depto de Inovação, Qualidade de Produto e Assistência Técnica da Vale Fertilizantes

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