Investindo em Confinamento!

Pecuaristas de grande destaque no Brasil, os irmãos Alexandre e Gustavo Parise, pretendem abater de 30 a 35 mil cabeças de gado confinado em 2013. O negócio que começou com o pai em meados de 1950, com produção de gado em sistema de ciclo completo, hoje trabalha com tecnificação para atingir sempre os melhores resultados.

Os irmãos iniciaram as atividades de confinamento, em 2007, com 146 animais próprios. Alexandre Parise, diretor do grupo, explica que a intenção era ir além da criação de gado, que era a atividade do pai. Neste ano, plantaram cana-de--açúcar na fazenda e confinaram esses 146 bois apenas para não encerrar a atividade. A partir dai tomaram gosto pela coisa. "Gostamos do negócio e no ano seguinte confinamos 904 animais, em 2009 confinamos 1528 animais, em 2010 confinamos 1054 animais e em 2011 confinamos 2697 bois. Até aqui sempre confinamos animais próprios. Em 2012, sempre com o envolvimento do pessoal da Nutron, decidimos abrir nosso confinamento para a prestação de serviço a terceiros e abatemos 6690 animais (entre próprio e de clientes)", comemora Parise.

Como o negócio deslanchou, e visualizando essa necessidade de intensificar a pecuária de corte, que hoje conta com vasta tecnificação, decidiram profissionalizar ainda mais o confinamento e ampliá-lo para a capacidade estática atual de 20.000 animais. E não querem parar por aí. "Já está em nossos planos uma nova ampliação, visando aumentá-lo em mais 10.000 animais. Ainda estamos em estudo se essa ampliação ocorrerá em 2014 ou 2015", completa o diretor.

Hoje a família possui 4 fazendas em produção de carne bovina: Fazenda São Lucas e Fazenda Santa Izabel, situadas em Santa Helena de Goiás; Fazenda Linda Veneza, situada em Turvelândia; e, a Fazenda Grande e Comprida, situada em Acreúna.

O Confinamento São Lucas está localizado na primeira e ali fazem a terminação do próprio rebanho, além de prestar serviços de parceria e boitel.

As outras três fazendas são destinadas à recria. "Nelas utilizamos um sistema intensivo, com alta lotação e com alto consumo de proteínado, objetivando apenas recriar os animais, que serão levados para o confinamento", explica Parise.

João Danilo Ferreira, consultor técnico da Nutron que atende as fazendas explica que "essas fazendas são destinadas a recria intensiva de machos inteiros, sendo que todas estão passando por processos de intensificação das pastagens e manejos para atender uma maior carga animal e aumentar a produtividade e a rentabilidade por área." Na fazenda Linda Veneza no ciclo 2012/2013, a lotação média foi de 6,4 UA/ha, em pastagens adubadas, com os animais suplementados com proteinado o ano inteiro, com consumo de 0,3 a 0,5% do peso vivo, sendo que neste ciclo a produção média foi de 38,4 arrobas/ha.

João Danilo completa dizendo que "o objetivo é otimi-zar ainda mais esta produção nos próximos ciclos, mas sendo feito de forma planejada, tanto na parte técnica como econômica, visando a cada ano melhorar a rentabilidade por hectare nas propriedades."

Ao atingirem o peso vivo médio de 300 kg estes animais vão para o Confinamento São Lucas, onde serão terminados.

Alexandre explica que para controlar a produção e, com isso, obter o resultado planejado eles utilizam as ferramentas feed manager e feed tracer. "A idéia do feed tracer, abraçada com esmero e dedicação pelo Hudson Castro e pelo João Danilo Ferreira, é brilhante. Muito embora ainda não tenhamos dados para mensurar os seus benefícios, acreditamos que o feed tracer, além de agilizar os tratos diários porque elimina as anotações manuais pelos funcionários do confinamento, trará uma melhor eficiência no consumo, e, por conseguinte, uma melhor conversão alimentar, gerando, obviamente, lucro para o confinamento e para os nossos parceiros", explica.

EFICIÊNCIA TAMBÉM PARA PARCEIROS

Tanto no confinamento quanto nas fazendas de recria, os irmãos trabalham com um único propósito: sempre atender seus clientes com eficiência e confiabilidade. Parise afirma que, para os próximos anos, pretendem prestar serviço semelhante ao do confinamento a seus clientes também a pasto. "Queremos receber os bezerros do cliente nas fazendas de recria e cuidar deles até o exato momento de levá-los para o confinamento. Nesse serviço estará incluída a pastagem, o manejo, o proteínado, os protocolos sanitários, a rastreabilidade, enfim, tudo o que o animal necessite até ser levado para o cocho. Com o animal pronto, o pecuarista pode decidir se leva para o confinamento ou se vende. Aliado a isso tudo, temos como colaboradora do confinamento, Lygia Pimentel, que está a disposição de nossos clientes para a análise de risco e operações no mercado futuro", explica.

"Nos próximos anos, além de buscar uma melhor conversão alimentar com maior rentabilidade, que é um foco contínuo do confinamento, e auxiliar nossos parceiros, especialmente a Nutron, em pesquisas, daremos um foco maior na sustentabilidade ambiental. Já neste ano de 2013, daremos início à implantação de um rígido controle de poeira, com sistema de aspersão automatizado, objetivando contribuir para o meio ambiente e para o bem estar animal", completa o diretor.

FUTURO DO AGRONEGÓCIO

Quando perguntamos sobre o futuro do agronegócio no Brasil, Alexandre é enfático:

"A cadeia produtiva brasileira (a pecuária menos) está muito avançada, muito tecnificada. Os produtores estão conseguindo a cada ano aumentar suas produtividades e a obter sempre melhores resultados. Os produtores rurais fazem o Brasil ser o celeiro do mundo. São eles que estão aptos a contribuir para a alimentação de uma população mundial crescente. São eles que fazem o PIB do Brasil ser o que é hoje. No entanto, muito embora produtores, pesqui-sadores e empresas do setor, estejam numa crescente contribuição para a melhoria do agronegócio brasileiro, o Poder Público deixa a desejar. Não temos política agrícola interna nem externa. Te cito um exemplo conhecido e recente: depois de aprovada pelo Ministério da Agricultura a utilização do cloridrato de zilpaterol e da ractopamina em bovinos, ao argumento de que a União Europeia não permite o uso desses produtos e de que os frigoríficos não estão preparados para segregar as carcaças, proibiu-se novamente o uso. Esses produtos são fabricados na Europa que, por sua vez, não permite o seu uso! Mas em outras espécies como em suínos eles são amplamente utilizados. Então, falta atitude ao Poder Público para lutar pelo que de fato interessa a toda a cadeia produtiva."

  • Alexandre Parise

    Alexandre Parise

    Diretor do Confinamento São Lucas.

  • João Danilo Ferreira

    João Danilo Ferreira

    Consultor Técnico de Bovinos de Corte da Nutron Alimentos.

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