Gestão de risco na pecuária intensiva

A pecuária brasileira é caracterizada pela baixa produtividade. Apesar de inúmeros projetos pecuários com alto nível de tecnificação, a grande maioria ainda segue o modelo extensivo de criação.

No processo de intensificação da atividade, as ferramentas de gestão de risco e proteção às oscilações de preços estão quase em último lugar, não por sua importância mas às vezes pelo simples desconhecimento de seu funcionamento.

Atualmente, na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), existem aproximadamente 20 mil contratos abertos de boi gordo – um contrato equivale a 330 arrobas ou a 20 bois de 16,5 arrobas –, o que representa cerca de 400 mil animais. Esse volume representa apenas 0,2% do rebanho brasileiro e 1,0% do abate.

Essa participação já foi muito maior, com o número de contratos na BM&F chegando perto de 1,5 milhão de cabeças em 2008. Apesar da queda, observa-se o aumento na procura por essa ferramenta, sobretudo por parte do pecuarista. Veja, a seguir, como funciona.

Hedge (proteção, cobertura)

Os hedgers procuram os futuros para obter proteção de preços.

O pecuarista, diante do risco de queda nos preços, procura travar sua venda futura. Para isso, precisa ter conhecimento de seu custo de produção e visualizar uma boa rentabilidade para, em seguida, vender no mercado futuro.

Se o preço futuro cair, sua mercadoria perderá valor, mas ele ganhará na BM&F a diferença entre o preço vendido no início da operação e o preço de fechamento, de forma a cobrir o que perdeu no físico. Assim, se o preço cair ele estará protegido; se subir, deixará de ganhar um lucro adicional.

Para os compradores, o risco é de alta nos preços da matéria-prima, o que poderia estrangular sua rentabilidade. Os frigoríficos buscam travar o preço de compra do boi gordo na BM&F para garantir o custo de seu produto final.

Se o preço subir, a mercadoria que ele tem de comprar ficará mais cara, mas, em compensação, obterá ganho na Bolsa, que cobrirá essa diferença. Se o preço cair, pagará mais barato no mercado, mas desembolsará a diferença na Bolsa.

Exemplo de operação

Alternativas

Além do mercado futuro e de opções, e do já conhecido mercado a termo, a Bolsa Brasileira de Mercadorias (BBM) lançou recentemente a Bolsa de Carnes. Trata-se de um mercado a termo intermediado pela Bolsa, mas cuja procura ainda é incipiente.

Conclusão

Uma das premissas para realizar o hedge da produção é o conhecimento de seu custo, além da correta operacionalização do processo. Para isso, é possível se familiarizar com essas ferramentas por meio de simuladores (www.bmfgame.com.br).

A importância do hedge fica evidente ao se comparar a diferença entre expectativa de mercado e os preços de fechamento. Em 2008, o contrato de outubro na BM&F chegou a registrar R$ 101,80/arroba (ao longo do dia, atingiu patamares ainda mais altos), mas no físico a média de outubro/2008 foi de R$ 90,79/arroba, ou seja, uma queda de 10,8% entre a expectativa e a realidade. Esse pode ter sido o fiel da balança entre rentabilidade positiva e prejuízo.

Em 2009, o movimento foi semelhante, com o contrato de outubro registrando máxima de R$ 89,53/arroba, mas fechando em R$ 77,18/arroba, com queda de 13,8%. Até o momento, o preço máximo registrado para o contrato de outubro em 2010 foi de R$ 88,85/arroba, mas já registrou queda de mais de 5% até o início de maio e existem ainda inúmeras incertezas sobre a direção do mercado até o final da entressafra.

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