Aves têm melhor desempenho com iluminação adequada

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As aves são produtos da genética, nutrição e ambiente. Do ponto de vista genético, na interação com a carga de genes encontra-se uma série de fatores ambientais e entre eles a luz é um fator de extrema relevância. A luz, portanto exerce importância fundamental sobre o sistema de criação das aves. Em matrizes pesadas, a intensidade e a duração do fotoperíodo têm influência direta no desempenho reprodutivo das aves, proporcionando melhor controle da maturidade sexual e uniformidade do lote.

Por isso, o fornecimento de um programa de luz adequado é tão importante, que em poedeiras pode interferir no início da postura (antecipando ou retardando), na taxa de postura e no seu intervalo. Além disso, a eficiência alimentar pode ser maximizada, a qualidade da casca melhorada e o tamanho do ovo otimizado. Já em frangos de corte, a preocupação é proporcionar acesso aos comedouros e bebedouros (principalmente à noite, horário de temperaturas mais amenas), com a finalidade de atingir o maior ganho de peso. Durante o período de experiência – nesta época - os fotoperíodos tinham de 23 a 24 horas de luz.

Com o passar dos anos, o melhoramento genético propiciou ao mercado uma ave com outras exigências, surgindo e então estudos relacionando programas de luz com problemas de pernas, mortalidade, atividade, bem estar e etc.

Após vários trabalhos, pesquisadores concluíram que fotoperíodos mais moderados possibilitam menor estresse fisiológico, melhoria na resposta imunológica, na atividade e no metabolismo ósseo.

Atualmente, pode-se dizer que o manejo da luz é uma técnica fundamental e de baixo custo na produção. Os princípios que envolvem a importância da luz são: fonte de luz e comprimento de onda, intensidade de luz e duração e distribuição do fotoperíodo.

FONTE DE LUZ E COMPRIMENTO DE ONDA

A retina do olho contém cones que, quando estimulados por diferentes comprimentos de ondas de luz, transmitem a informação de cor ao cérebro. Pesquisas recentes detectaram que algumas aves podem ver até cinco cores primárias (visão pentacromática) e capazes de diferenciar dois tipos de comprimento de ondas UV.

A luz visível é uma pequena coleção de comprimentos de onda, oriundos de uma série muito maior e é chamada de espectro eletromagnético. As luzes incandescentes apresentam um aspecto de luz vermelha, enquanto que as luzes fluorescentes brancas apresentam um aspecto azulado. Isto acontece porque as luzes incandescentes produzem comprimentos de onda mais longos (vermelho) enquanto que luzes fluorescentes, mais curtos (verde e azul). Pesquisadores no Canadá, indicam que a habilidade das aves em visualizar cores é similar a dos humanos, exceto que as aves não podem ver com precisão a luz de onda curta.

Apesar de representar um investimento inicial maior, lâmpadas fluorescentes apresentam maior poder de iluminação em detrimento à lâmpadas incandescentes, devido ao seu comprimento de onda - conseqüentemente - maior sensibilidade das aves. Portanto, uma mesma iluminação com incandescentes poderia ser obtida com um menor número de lâmpadas fluorescentes de menor potência (redução no custo da energia).

Lembrando que a distribuição de lâmpadas deve ser uniforme, conforme recomendação do técnico.

INTENSIDADE DE LUZ

A intensidade luminosa (medida por unidades de lux) percebida pela ave é uma função do comprimento de onda de uma determinada fonte de luz e da sensibilidade individual do animal para aquele comprimento de onda.

A luz, contudo, produz outros efeitos que atuam indiretamente sobre a produção. O comportamento dos frangos é fortemente afetado pela luz, aspecto que tem sido utilizado comercialmente. A luz mais brilhante é usada para aumentar a atividade das aves, como é o caso dos primeiros dias. A luz tênue é mais efetiva para controlar comportamentos agressivos como canibalismo. A luz de baixa intensidade também ajuda a aumentar a eficiência alimentar, pois acarreta uma menor atividade e um menor desperdício de ração.

Em geral, é recomendado fornecer uma intensidade de luz não inferior a 20 lux, até sete dias de idade, para assegurar que os pintinhos encontrem a ração e os bebedouros e de 5 lux desta data até até ao abate. Em aviários com condições controladas, os produtores têm utilizado sistemas elétricos que permitem aumentar a intensidade de luz de forma regular e por curtos períodos de tempo, durante a criação dos frangos. O objetivo dessa prática é estimular o exercício, reduzindo assim os problemas ósseos e estimulando o sistema cardiovascular.

DURAÇÃ O E DISTRIBUIÇÃ O DO FOTOPERÍODO

A importância da luz nos aviários não está restrita apenas ao fotoperíodo, pois a fonte de luz, o comprimento de onda (principalmente no pico da radiação), a intensidade da luz, a frequência e a distribuição espacial das lâmpadas no galpão também afetam significativamente os resultados finais, em termos da qualidade e da quantidade de produção.

O excesso de luz prejudica a produção de frangos de corte, podendo acarretar também maior deposição de gordura, doenças metabólicas e circulatórias.

Os programas de regime de luz constante podem ser definidos como os que utilizam um fotoperíodo de mesmo comprimento, durante todo o ciclo de crescimento. Esses programas têm sido utilizados em frangos de corte por possibilitarem acesso uniforme aos comedouros. Programas como esse, dão condição para maximizar o consumo de ração, o ganho de peso e a uniformidade.

O programa de iluminação intermitente caracterizase por apresentar ciclos repetidos de luz e escuro dentro de um período de 24 horas. Algumas pesquisas mostram que este programa melhora a conversão alimentar e reduz a gordura abdominal. Além disso, pode reduzir a produção de calor, diminuindo a taxa metabólica e o consumo de oxigênio; amenizando a incidência de ascite. Embora aves expostas à luz intermitente alcancem o peso semelhante ao daquelas que recebem luz contínua aos 42 dias, pintos expostos à luz intermitente apresentam redução no crescimento durante a segunda semana de idade, seguido por um ganho compensatório a partir de então.

Ainda com relação aos programas de luz, fotoperíodos crescentes fornecem uma série de fotoesquemas, nos quais o fotoperíodo é aumentado conforme o frango avança a idade. A adição de uma hora de luz em uma ou mais vezes na metade da noite, resulta em um aumento na taxa de crescimento com o mínimo risco para a saúde das aves.

Nos últimos dez anos, há uma movimentação significativa em todo o Brasil para se utilizar instalações de criação em aviários escuros (Dark-House) ou semiescuros. Estas mudanças são impulsionadas à medida que as pesquisas genéticas avançam cada vez mais em busca de uma ave com maior ganho de peso (alta conformação), com isso as dificuldades de manejo aumentam a cada ano.

Para matrizes pesadas, por exemplo, o principal objetivo dos sistemas de aviários escuros e ou semiescuros (sombrite) na fase de recria é de não permitir a sobreposição do hormônio de crescimento com a liberação dos hormônios sexuais (16 a 22 semanas de idade), os quais são antagônicos. Mantendo as aves em ambiente escuro, até 21 a 22 semanas, não haverá liberação dos hormônios sexuais, antes da completa formação corporal.

PONTOS IMPORTANTES PARA UM PROGRAMA DE LUZ ADEQUADO

O programa de iluminação, assim como outras estratégias de manejo, exige do avicultor atenção para escolhas certas.

Por isso, vale à pena ressaltar os pontos principais para um adequado programa de luz.

  • Ajustar o programa de luz conforme o objetivo da criação, por exemplo, se macho, fêmeas ou misto e levar em consideração o peso de abate.
  • Levar em consideração a época do ano. Em períodos de clima mais ameno pode-se aumentar o controle na quantidade de luz e na intensidade e em períodos de estresse de calor, é possível reduzir o controle da luz, propiciando mais horas disponíveis para alimentação, principalmente nos períodos mais frios do dia.
  • Ajustar o controle da intensidade e quantidade de luz por fases da vida da ave. Por exemplo, um lote misto ou machos criados em ambiente ameno de outono.

CONCLUSÃO

Os programas de luz utilizados na criação de frangos de corte têm como finalidade regular o consumo de alimento. Para se determinar o manejo de luz a ser utilizado é necessário observar diversos fatores tais como: peso de abate planejado, níveis nutricionais médios.

  • Paula Bastos Valeri

    Paula Bastos Valeri

    Zootecnista pela UNESP Botucatu, com especialização em Nutrição de Monogástricos na Texas A&M University e Nutricionista de Aves da Nutron Alimentos.

  • Tuffi Bichara

    Tuffi Bichara

    Tuffi Bichara é Zootecnista formado pela Universidade Estadual Paulista, especialista em gestão estratégica de empresas pelo Instituto de Economia da Unicamp. Consultor Técnico Aves da Nutron Alimentos.

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