Tratamento com Altrenogest: um método para evitar partos precoces em suínos

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    Suínos

A princípio, o altrenogest foi desenvolvido com o propósito de sincronização do estro de leitoas e de fêmeas pós-parto (WENTZ et al. 2007), porém, quando testado com fêmeas no final da gestação, este mostrou-se eficiente para evitar a ocorrência de partos precoces em suínos (KIRKWOOD et al. 1985; GUTHRIE et al. 1987; FOISNET et al. 2010; VANDERHAEGHE et al. 2011; GAGGINI et al. 2012).

O altrenogest é um esteróide sintético, de ação oral, que tem ação progestomimética e anti-gonadotrófica. A ação do altrenogest consiste em manter a concentração de progesterona exógena alta no organismo da fêmea, mesmo durante o período final de gestação e, também, atuar nas células alvo do hipotálamo, onde se liga a um receptor específico, atuando como inibidor do Hormônio Luteinizante (LH). Por não possuir total efeito progestomimético, o altrenogest não impede que ocorra a luteólise, mas permite que níveis de progesterona endógena diminuam através da redução do LH. Ao contrário da progesterona endógena, os altos níveis de altrenogest no final da gestação não evitam o fechamento das barreiras de junção celulares do epitélio mamário, evitando efeitos negativos no período lactacional (FOISNET et al. 2010).

O porquê de evitar partos precoces?

Existem evidências de que fêmeas que parem precocemente (antes do dia 114 de gestação) não apresentam preparação ideal para o CERDOSparto, tanto no aspecto materno como fetal, quando comparado a fêmeas que parem próximo aos 114-115 dias. A preparação para o parto consiste em diversos acontecimentos fisiológicos, que quando não ocorrem de forma adequada, acarretam prejuízos em toda a cadeia de produção de suínos. Diversos estudos mostram que partos precoces alteram a composição e a produção de colostro e leite (FOISNET et al. 2010), causam uma redução na média de peso ao nascer da leitegada (GAGGINI et al. 2012), além de aumentarem o risco de ocorrência de natimortos (VANDERHAEGHE et al. 2011). Estes também acarretam um aumento da taxa de mortalidade na maternidade (WOLF et al. 2008) e causam, indiretamente, uma queda na taxa de crescimento durante a lactação (RYDHMER et al. 2008).

Efeito direto e indireto do Altrenogest

Desde a década de 80, estudos comprovam a possibilidade do fornecimento por via oral do altrenogest durante o final da gestação (Tabela 1).

O tratamento com altrenogest mostrou-se efetivo em todos os trabalhos (Tabela 1), independentemente do ano de realização e a diferença genética entre as fêmeas utilizadas. A possibilidade de evitar os partos precoces, além de melhorar o desempenho das fêmeas e, indiretamente, dos leitões, permite que ocorra a concentração de partos e, consequentemente, haja maior homogeneidade na idade dos leitões ao desmame e possibilidade de evitar partos em dias indesejados. Além da homogeneidade na idade, o tratamento também proporciona uma maior média de peso ao nascer e maior sobrevivência, tanto aos três quanto aos 21 dias de idade, em leitões filhos de fêmeas tratadas, quando comparados com leitões oriundos de fêmeas com parto precoce. A definição das fêmeas que devem ser tratadas pode ser realizada através da análise dos históricos de partos anteriores. Isto se deve ao fato de que há uma correlação positiva entre a duração das gestações anteriores com a atual (VANDERHAEGHE et al. 2011; GAGGINI et al. 2012). Dessa forma, esse parâmetro pode ser utilizado a fim de promover o uso do fármaco apenas quando necessário.

Tabela 1. Estudos que utilizaram o Altrenogest como ferramenta para evitar partos precoces em suínos

Legenda
a,b Letras diferentes na mesma coluna indicam diferença estatística entre os grupos.
* PG = indução ao parto.
± Desvio padrão.
v ± Erro padrão.
y N de natimortos.
x % de natimortos.
z Sobrevivência aos 21 dias.
w Sobrevivência até o 3º dia de vida

  • Thais Schwarz Gaggini

    Thais Schwarz Gaggini

    Ms em Fisiopatologia da Reprodução pela Universidade Federal do RS

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