Suinocultura catarinense alinhada à força do cooperativismo

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    Suínos

A suinocultura catarinense, que é a líder nacional na atividade, detendo 19,2% do plantel brasileiro, com 7,5 milhões de cabeças, recentemente recebeu uma ótima notícia que fortalecerá ainda mais as ações comerciais, produtivas e logísticas do setor.

 

Foi criada a Cooperativa Agroindustrial dos Suinocultores Catarinenses (Coasc), cuja oficialização e o lançamento da sua central de compras ocorreram em 7 de novembro, no auditório da Associação  Comercial e Industrial de Chapecó (ACIC). A NFT Alliance marcou presença no evento.

 

A Coasc nasce forte, com a participação de 30 sócios-fundadores de diversas regiões do estado. Estes, somados, representam oferta anual próxima de 900 mil suínos para abate, com base de 19 mil matrizes.

 

Por enquanto, a entidade está em sede provisória em Concórdia (SC), mas em breve pretende inaugurar sede própria e a sua central de distribuição na mesma cidade. A adesão dos demais suinocultores catarinenses – estimados em 350 produtores independentes – será feita gradativamente.

 

“Estruturação de silos e logística de armazenagem são estratégicas e providenciais para enfrentarmos eventuais períodos de crise e evitar a perda do estímulo da atividade, quando surgirem momentos difíceis”, destacou o presidente da cooperativa, Losivanio Luiz de Lorenzi, que também preside a Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS) – entidade que completou 55 anos de fundação.

 

Nessa somatória de forças, prevaleceu também entre os cooperados a criação de um sistema de negociações coletivas (medicamentos, grãos, núcleos, insumos) por via de uma Central de Compras, que terá movimentação econômica em torno de R$ 2 milhões por mês.

 

“A primeira compra coletiva proporcionou média de 29% de economia em insumos, como milho e farelo de soja. Essa economia resultou em melhor margem no custo de produção de todos os suinocultores cooperados, independente do perfil ou volume”, comemorou Rubens Antônio Comelli, vice-presidente da Coasc e proprietário da Granja Comelli, em Iomerê (SC), suinocultor há mais de 60 anos e com produção anual de 85 mil animais terminados.

 

Em essência, a proposta é que essas ações e articulações em torno do cooperativismo sejam uma fonte de qualidade gerencial e de suporte ao suinocultor e haja a democratização no repasse de benefícios e vantagens  entre pequenos, médios e grandes produtores.

 

“Acessar os fabricantes e fornecedores com melhor poder de negociação e competitividade para os suinocultores. Esse é o objetivo da Central de Compras”, endossou Jefferson Reis Bueno, gestor do programa de centrais de compras do Sebrae/SC. A instituição teve participação fundamental ao dispor de consultores para assessoria e suporte à aplicação de metodologias específicas nas diversas fases do processo de oficialização da cooperativa, ressaltou Ênio Alberto Permeggiani, coordenador regional do Sebrae catarinense.

 

Como explicou Gentil Bonéz, Gerente Comercial da cooperativa, a central de compras terá respaldo de uma comissão que avaliará e validará todas as operações de cotação e precificação. “Será essa comissão quem endossará as decisões de compra junto aos fornecedores. A proposta não é apenas avaliar o melhor preço, mas também o atendimento, a qualidade do produto, o prazo e a logística oferecida para a entrega nas propriedades dos cooperados. Esse pacote de prestação de serviço é muito interessante para o suinocultor”, esclarece Bonéz.

 

Os suinocultores cooperados enfrentavam gargalos na integração industrial e, agora com essa nova cooperativa, terão a oportunidade de incorporar benefícios em termos de produtividade, resultados econômicos – como os ganhos de preço na hora da compra e recebimento de créditos de ICMS nas operações de venda –, além de ajustes na logística e mão-de-obra na propriedade.

 

“Demos um grande passo ao reunir de forças em torno da cooperativa e aumentamos as condições para permanecer na atividade. Os resultados virão em médio e longo prazos, alinhados com as necessidades e interesses dos suinocultores”, destacou Adriano Tessaro, nomeado secretário da Coasc. Tessaro está há 38 anos na atividade e integra a terceira geração da família proprietária da Granja Rio do Peixe 1, em Lacerdópolis (SC), que comercializa 1.200 matrizes e três mil animais terminados por ano.

 

“Uma granja de suínos é uma atividade de portas abertas e todos devem permanecer em um ambiente produtivo, porque assim deve ser a nossa luta em benefício da cadeia e muito mais agora em torno da cooperativa que tem o diferencial de ser exclusivamente dedicada aos suinocultores”, diz Jacob Biondo, cooperado e titular da Agropecuária Biondo, de Seara (SC), suinocultor há 34 anos com volume anual de 40 mil animais terminados.

 

Bolsa Catarinense de Suínos - Outra providencia em pauta pela recém-criada cooperativa é o de firmar uma ação alinhada com o modelo do Consórcio Suíno Paulista, iniciativa da Associação Paulista dos Criadores de Suínos (APCS) que trabalha em sistema de compra e venda conjunta entre suinocultores e frigoríficos e inclui a venda da carne.

 

“Criamos a nossa bolsa de suínos também a exemplo da de São Paulo. A maioria de nossos animais terminados vai para o mercado paulista. Por isso, precisamos ajustar a melhor maneira de regular esses mercados para que trabalhem em conjunto, de forma que os frigoríficos absorvam a nossa produção, porém tendo por trás parcerias que asseguram a entrega, numa via recíproca de garantias”, diz o presidente da cooperativa.

 

Em médio prazo, a intenção é focar também em ações que privilegiem a comercialização de produtos de qualidade superior, com rastreabilidade desde a sua origem e com o selo do cooperativismo. “Os cooperados estão cientes dos resultados positivos que a agregação de valor em marcas regionalizadas poderá trazer. Por isso, queremos criar uma linha de produtos com indicação geográfica e que seja destinada para o consumidor mais exigente, que busca produto diferenciado com qualidade e segurança alimentar”, argumenta o presidente.

 

O fator da biossegurança também mereceu a atenção da diretoria da Coasc, que pretende contratar técnicos que atuam a campo para introduzir a rastreabilidade nas propriedades, incluindo a certificação das fábricas de rações. “Este é um processo acessível e, ao contrário do que se pensa, não é tão oneroso. Considero um caminho natural para alcançar a chancela de um selo de qualidade”, acrescenta Lorenzi.

 

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Cooperados estruturam produção certificada

Os recentes avanços no ambiente do cooperativismo da suinocultura catarinense não param por aí. Além da expressiva adesão de suinocultores cooperados, outro ponto importante dessa integração é a do Frigorífico Primaz, detentor da marca Girardi, com unidade de produção certificada na cidade de Rio Negro, no Paraná.

 

“Vivemos um momento muito bom na suinocultura, mas não podemos nos esquecer de anos anteriores quando a atividade passou por crises, o que impactou no desestímulo de muitos produtores. A intenção agora como cooperados é para nos preparar para futuras dificuldades. Por isso, o importante é comprar, armazenar, vender e produzir melhor. Este é o principal objetivo da existência da cooperativa”, destaca o presidente do frigorífico, Marcos Antônio Sprícigo, que integra o conselho fiscal da Coasc e está há 53 anos na suinocultura.

 

Sprícigo informa que o volume atual da unidade é de 120 mil abates por ano, todos com certificação. Com a cooperativa em atividade, a escala poderá ser ainda maior. Um caminho sem volta, segundo ele, inclusive em relação à busca de certificação nas propriedades suinícolas. A cadeia produtiva chegará a um ponto em que não terá mais como produzir sem certificação. Tanto a legislação como o consumidor pedem mais qualidade e garantias em termos de segurança alimentar.

 

“Por isso, daqui para a frente vamos trabalhar unidos e gradualmente nos adequar ao que o mercado deseja consumir. Essa soma de esforços fará com que os suinocultores cooperados tenham igualdade de condições”, endossa Sprícigo.

 

“Vamos produzir carne suína com padrão e com qualidade. Os produtos que o mercado deseja consumir. Por isso, vamos buscar novos nichos para produzir de acordo com estruturas e diferentes tamanhos de propriedades, mas com produtos finais padronizados e de qualidade diferenciada”, destaca Adriano Tessaro, da Granja Rio do Peixe 1, de Lacerdópolis (SC).

 

De acordo com o vice-presidente da Coasc, Rubens Antônio Comelli, várias ações foram discutidas por mais de um ano até ser oficializadas juridicamente e proporcionar a constituição da cooperativa, fundada em fevereiro de 2014, quando efetivamente as demandas começaram a sair do papel, como é o caso das compras coletivas.

 

“Já participei de outras cooperativas, mas a Coasc tem esse diferencial de dedicar suas ações exclusivamente para a suinocultura. Assim, além de novo cooperado eu tenho a honra de pertencer a essa diretoria pioneira que trabalha para fazer toda a diferença”, revelaAltair Antonio Borsatti, titular da Granja Borsatti, em Ipirá (SC), com 25 anos na suinocultura e fornecimento de 13 mil animais terminados/ano.

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