Nutrição de leitões na maternidade: uma forma de agregar valor à cadeia produtiva

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    Suínos

Por Everton Daniel (Technical Consultant - Swine) e Leandro Hackenhaar (Specie Technology Manager - Swine Latam)


O constante avanço genético e, consequentemente, o aumento do número de leitões nascidos ficou evidente nos últimos anos. No entanto, a quantidade tem impactado negativamente no peso, pois quanto maiores forem as leitegadas, maior será a tendência de redução do peso ao nascer, uma vez que, na prática, não há espaço para todos.

O peso está fortemente correlacionado à viabilidade do leitão. Mais de 80% das causas de morte de leitões na maternidade podem ser relacionadas ao baixo peso durante essa fase.

Leitões pequenos, além de apresentarem menor probabilidade de sobrevivência, também têm a tendência de serem desmamados mais leves e, devido à menor quantidade de fibras musculares (Rekiel et. al, 2015), estão predispostos a um desempenho inferior nas fases subsequentes.

Transformando leitões de risco em suínos de alto valor

Todavia, quando são observados os dados de granjas onde são propiciadas condições adequadas aos leitões leves, esses animais apresentam uma elevada capacidade de recuperação. Observando de uma forma diferente os dados apresentados, é possível concluir que os animais leves têm uma capacidade de ganho de peso relativo muito superior ao dos animais nascidos pesados. Por exemplo: os leitões que nasceram na faixa entre 600g e 900g, até a desmama aumentaram seu peso inicial em 403%. Já os animais nascidos com mais de 2.100g elevaram seu peso em ‘apenas’ 215%, no mesmo período.

Com essa abordagem, em hipótese nenhuma, afirmamos que os leitões leves têm potencial de ser melhores que os leitões pesados, mas buscamos evidenciar que eles têm enorme potencial para se tornar animais de bom padrão. Isso, é claro, se forem proporcionadas as condições apropriadas para eles.

Manejo adequado no parto, calor, oportunidade de ingestão de colostro, uniformização das leitegadas e número de leitões compatível com o de tetos viáveis. Essas são algumas das ações consagradas e que permitem o bom desenvolvimento dos leitões. Por outro lado, ferramentas que podem auxiliar neste processo são a suplementação estratégica ao nascimento e a alimentação complementar durante a amamentação.

Quando são observadas as correlações entre o peso ao nascimento e o peso no momento da desmama, em uma granja de manejo adequado, é possível verificar a tendência, já destacada anteriormente, de que os animais mais leves são desmamados também mais leves, mas podemos observar, também, que a correlação é muito baixa, ou seja, apenas 26,5%. Isso quer dizer que os animais nascidos leves podem ser desmamados com bom peso e, consequentemente, proporcionar maior rentabilidade. Porém, ainda mais importante é elevar a qualidade dos leitões.

Basta que as ações necessárias sejam adotadas durante a fase de maternidade! O investimento vale a pena. Afinal, mais leitões e leitões mais pesados proporcionam retornos financeiros significamente maiores ao longo da cadeia.

 

 

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