Falhas reprodutivas associadas ao circovírus suíno tipo 2 (PCV2), diagnóstico e prevenção

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    Suínos

INTRODUÇÃO

O Circovirus Suíno tipo 2 (PCV2) está amplamente difundido nas populações suínas e é conhecido como um patógeno capaz de causar uma infinidade de quadros clínicos, conhecido como doenças associadas ao circovirus suíno – PCVAD; (Segales et al., 2011). Os circovirus são pequenos (17 nm), não envelopados, icosaédricos e o genoma, DNA circular de fita simples, em torno de 176 kb. É um dos menores entre vírus animais e pertencem à família Circoviridae (Mores et al., 2012). O PCV2 pode ser o agente primário em falhas reprodutivas causando mumificação fetal, leitões natimortos, leitões nascidos debilitados e elevada mortalidade enquanto lactentes (Opriessnig, t. et al., 2007; Woods, a. et. al., 2009). O PCV2 é capaz também de promover falhas reprodutivas em leitoas de reposição (Pittman, J, 2008; Bianco et al., 2012).

In vitro o PVC2 se replica na zona pelúcida livre de mórulas e blastocistos (Mateusen et al., 2004, 2007); a infecção dos fetos aumenta dependendo do estado evolutivo. A zona pelúcida protege parcialmente o feto da infecção, uma vez que essa desaparece 100% dos blastocistos se infectam. O mecanismo pela qual a zona pelúcida previne a infecção é devido a uma reação química já que os poros desta permitem o ingresso dos espermatozoides cujo tamanho é maior do que o PVC2. A replicação dos tecidos do feto é maior antes dos 57 dias de gestação comparada com infecções que ocorrem aos 75-92 dias de prenhes.

A infecção antes dos 50 dias causa mumificação e miocardites nos fetos. A infecção posterior aos 75 dias causa natimortos e se a infecção ocorre depois dos 92 dias de gestação os leitões nascem aparentemente normais (Nauwynck et al., 2011), o que produz fetos virêmicos ao nascimento na qual se detecta o vírus e possivelmente anticorpos já que o feto é capaz de montar uma resposta imune a partir dos 75 dias de gestação (Gerber et al., 2012; Johnson et al 2000).

A infecção das fêmeas gestantes ocorre pela via oro-nasal ou intra--vaginal (Gerber et al., 2012; Johnson et al 2000). Fêmeas inseminadas com sêmen contaminado com PCV2 desenvolvem infecção nos leitões, assim como falhas reprodutivas (Madson et al., 2009a). A inoculação intranasal do vírus em fêmeas gestantes causam abortos e partos prematuros (Madson 2009b). Em estudos recentes se observou que fêmeas de reposição que mostravam viremia não ficavam gestantes após a cobertura. Isto se comprovou por meio de PCR e pelos níveis de progesterona no sangue (Bianco et al., 2012).

A infecção por PCV2 se caracteriza por viremia nas porcas e o vírus é transmitido verticalmente aos leitões in útero, colostro e leite.

É importante que em planteis de reprodução, as fêmeas velhas assim como leitoas de reposição, estejam livres de viremia durante a gestação e lactação. O PCV2 é excretado em fêmeas vacinadas, portanto, recomenda-se o uso de uma vacina que previna tanto viremia quanto a excreção viral.

Num estudo realizado em um rebanho suíno americano que utilizou vacina Circumvent® PCV ou Circumvent PCV M (Merck Animal Health) desde 2006, o calendário de vacinação de fêmeas de reposição era feito com duas doses. A primeira dose com 5 semanas e a segunda dose as 8 semanas de idade, com um reforço próximo da cobertura.

O resultado de uma amostragem de 82 partos antes dos leitões mamarem o colostro foi que todos os letões nasceram negativos para o PCV2 (Shen et al., 2010).

A transmissão vertical do vírus é uma forma importante da propagação e permanência do PCV2 nos rebanhos suínos. A prevalência deste problema não está totalmente determinada, e se manifesta de forma subclínica (Madson et al., 2009). Um estudo da prevalência da viremia em leitões recém-nascidos e em fêmeas gestantes sem sinais clínicos em 5 granjas suínas nos EUA, demonstrou que 6% de fêmeas e 43% dos leitões nascidos estavam positivos no sangue por meio de uma prova de PCR (Shen et al., 2010).

PREVENÇÃO E CONTROLE

Para a prevenção e controle das falhas reprodutivas e prevenir a transmissão vertical do PCV2 nos rebanhos, é muito importante que a imunização previna a viremia e a excreção viral. O uso de inoculação de soro (Thomas, P. et al., 2007) ou de algumas vacinas comerciais não são eficazes na prevenção da viremia. Recentes investigações mostraram que fêmeas vacinadas com 3 diferentes vacinas comerciais presentes no mercado não foram capazes de evitar a infecção transplacentária nem evitar a excreção viral no colostro ou leite (Baker et al., 2012; Madson et al., 2009; Gerber et al., 2010; Misner et al., 2012; Griembeek et al., 2012).

Existe uma diferença qualitativa e quantitativa no controle da viremia, excreção, assim como produção de anticorpos entre os diferentes produtos comerciais no mercado. É importante ler com atenção as informações contidas na bula dos produtos assim como consultar o médico veterinário sobre qual o melhor programa de vacinação.

Em um rebanho Mexicano com problemas reprodutivos subclínicos, a vacinação com Circumvent® PCV melhorou os parâmetros reprodutivos. O número de dias após o desmame – cobertura foi diminuído, assim como a taxa de parição (Martin del Campo et al.,). Tem sido demonstrado que a vacinação de leitoas de reposição com produtos que não promovem proteção da viremia e da excreção viral, não protegem as leitegadas contra viremia e infecção vertical (Baker et al., 2012; Madson et al., 2009; Gerber et al., 2010; Miesner et al., 2012; Baker et al., 2011). A vacinação de rebanhos de reprodução com Circumvent® PCV tem se mostrado eficaz no controle da PCVAD e redução da transmissão vertical e viremia em leitões recém--nascidos. (Hobson et al., 2011).

REFERENCIAS:

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3. Dvorak et al., Transmission of PCV2 from sow to piglet in the farrowing room. Proceeding of Allen D. Leman Swine Conference 2010.
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5. Grau-Roma, L., et al., Infection, excretion and seroconversion dynamics of porcine circovirus type 2 (PCV2) in pigs from post-weaning multisystemic wasting syndrome (PMWS) affected farms in Spain and Denmark. Vet. Microbiol. (2008), doi:10.1016/j.vetmic.2008.10.007
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13. Menard, J. PCV2 vaccination in sows: What other factors to consider? Proc. AASV Annual Meeting. 2012
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