Descarte precoce está ligado a custos de produção mais altos

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    Suínos

Departamento Técnico da Zinpro Performance Minerals

O descarte precoce de porcas afeta negativamente a produtividade global do plantel reprodutivo porque reduz a taxa de parição, o tamanho potencial da leitegada e o desempenho da progênie — características ligadas às porcas de baixo número de parições, adverte Cherie Collins, PhD, gerente de pesquisa e inovação de Rivalea, empresa da Austrália.

A principal razão para o descarte de porcas de poucas parições é a falha reprodutiva, seguida de perto por claudicação ou problemas locomotores. "Mas não está claro quantas porcas descartadas por falha reprodutiva realmente apresentavam algum grau de claudicação durante a lactação que, por sua vez, reduziu seu consumo de ração," enfatiza Collins.

Está bem documentado que o consumo de ração durante a primeira lactação é um componente crítico para a longevidade da porca. Pode ser que os animais descartados por causa de falha reprodutiva não tivessem comido o suficiente para atender seus requerimentos nutricionais por causa da claudicação, diz ela.

Com taxas de reposição de porcas de 55% a 60%, os produtores precisam utilizar uma proporção maior de marrãs do rebanho para poder alcançar as metas de cobertura e desmame. Considerando apenas os custos diretos, os produtores de suínos estão alimentando mais fêmeas para obter uma progênie menor.

RELAÇÃO COM OS CUSTOS DE PRODUÇÃO

Há alguns fatores que contribuem para a lucratividade do rebanho comercial de suínos. Analisar a lucratividade através da conversão alimentar do rebanho (CAR) — ração consumida por unidade de peso de carcaça produzida — não considera apenas a porca, inclui também sua progênie na equação.

Os custos da ração para o rebanho são influenciados por fatores que incluem o número de desmamados, o número de desmamados por porca, a eficiência alimentar e o desperdício de ração, enquanto que as toneladas de carcaças produzidas levam em consideração a taxa de crescimento da progênie, o peso da progênie ao abate, níveis de mortalidade e peso da porca ao descarte.

A taxa de rotatividade de porcas em um rebanho comercial tem efeitos diretos e indiretos sobre a CAR. Os efeitos diretos da rotatividade de porcas sobre a lucratividade estão associados com o consumo de ração e, portanto, com os custos da ração. O rebanho de matrizes representa cerca de 20% dos custos da ração em sistemas comerciais de ciclo completo. Associada a falhas reprodutivas ou claudicação, uma alta rotatividade de porcas aumenta o número de dias não produtivos em que a porca consome ração e também aumenta o tamanho do pool de marrãs consumindo ração.

CUSTOS INDIRETOS ASSOCIADOS COM A PROGÊNIE DE MARRÃS

Além destes efeitos diretos, há custos indiretos consideráveis associados com uma proporção maior de progênie de marrãs no rebanho. Há grandes variações no desempenho quando se compara a progênie da marrã com a progênie da porca. A progênie da marrã tem menor peso ao nascer e ao desmame, além de uma taxa de ganho de peso que segue a progênie durante todo o ciclo de produção, diz Collins. A leitegada da marrã também tem uma maior mortalidade e maior susceptibilidade a doenças (Figura 1).

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Pesquisas recentes, conduzidas pelo Centro de Pesquisa da Australian Pork Cooperative e por outros pesquisadores indicam que a progênie da marrã é cerca de 200 g mais leve ao nascimento do que a progênie da porca. Não são apenas mais leves, uma vez que os pesquisadores têm demonstrado que suas taxas de crescimento pré-desmama são de 12% a 17% mais baixas do que a progênie da porca. Em outras palavras, a progênie da marrã é, em média, 1 kg mais leve ao desmame e 6 kg mais leve no momento da venda (24 semanas de idade).

Estudos que avaliaram o valor da uniformização da progênie da marrã com porcas multíparas para melhorar o crescimento pré-desmame demonstraram que estes animais continuam atrasados quando comparados com a progênie da porca (Figura 2).

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De acordo com Collins, os animais que são mais leves ao nascer — menos de 1,2 kg — também serão mais gordos quando comparados com animais nascidos com mais peso quando as carcaças têm pesos similares. Leitões que nasceram com menos de 1,2 kg também respondem por 40% da mortalidade antes do desmame (Figura 3).

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Maior susceptibilidade a doenças e taxas de medicação mais altas também podem ser associadas com a progênie de marrãs. Estudos mostraram que, ainda que as marrãs produzam quantidades adequadas de colostro, a transferência de anticorpos a seus leitões pode estar comprometida quando comparada com porcas multíparas (Miller et al., 2009).

Coletivamente, todos estes fatores aparentemente pequenos, ligados á progênie das marrãs, têm um efeito significativo sobre a CAR devido a seus efeitos sobre a mortalidade e peso na comercialização. Os efeitos são muito maiores, na verdade, do que o impacto direto do consumo de ração das porcas sobre a CAR, diz Collins.

DIMINUIR A PROGÊNIE DE MARRÃS MELHORA A LUCRATIVIDADE

Construir uma fêmea durável e lhe dar suporte durante sua primeira lactação são fatores chave para diminuir as atuais taxas de reposição de 55% a 60%, continua ela. Os produtores de suínos precisam enfocar pés e pernas saudáveis, ótima nutrição de microminerais para ossos e unhas fortes, e condições ambientais que incluem alojamentos e pisos projetados para preparar a marrã para um futuro produtivo no rebanho de matrizes.

A modelagem de produção demonstra que reduzir as taxas de reposição para em torno de 40% podem melhorar a CAR em até 0,30 pontos diz ela (Figura 4).

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"Ouço os gerentes de produção dizerem 'Se uma porca não puder desmamar o mesmo número de leitões que uma marrã pode, bem, ela pode sair do rebanho,'" diz Collins. "Mas será que estão realmente levando em conta o custo total e o impacto que esta retirada pode ter sobre o rebanho?"

A PERSPECTIVA NORTE-AMERICANA

Dr. Mark Wilson, fisiologista da reprodução da Zinpro Corporation, concorda com Collins. "Sabemos que uma porca precisa chegar à quarta parição para alcançar seu potencial econômico," diz ele.

"Ao trabalhar para diminuir a claudicação no rebanho de matrizes, podemos aumentar a longevidade das porcas e, desta forma, podemos reduzir o número de marrãs que são introduzidas no rebanho de porcas em cada grupo reprodutivo," acrescenta.

Quando a claudicação de porcas é diminuído e a rotatividade reduzida, os produtores de suínos conseguem melhorar os parâmetros reprodutivos, incluindo o consumo de ração durante a lactação, os pesos ao desmame, o número de leitões desmamados e as taxas de parição. Contudo, a maior melhora do desempenho resulta da diminuição do número de leitegadas de marrãs que apresentam uma diminuição do desempenho na recria / terminação.

De acordo com Wilson, está bem documentado — e reforçado pela pesquisa de Collins — que as leitegadas de marrãs também apresentam um maior risco de doença, morbidade e mortalidade. Estes efeitos acumulativos têm um impacto importante sobre a CAR. No mercado norte-americano representa aproximadamente R$ 0,22 a 0,25 por 45 kg. Se, como mostra a pesquisa de Collins, isto resultar em uma mudança de 30 pontos na CAR, haverá um impacto financeiro acentuado sobre a lucratividade.

  • Cherie Collins

    Cherie Collins

    PhD - Gerente de Pesquisa e Inovação de Rivalea da Zinpro na Austrália.

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