ADITIVOS ANTIMICOTOXINAS (AAMs): O que? Como? Quando? Por que?

São inquestionáveis os enormes prejuízos de ordem econômica, sanitária e comercial que as micotoxinas causam para aves e suínos. Os principais métodos de prevenção desses metabólitos estão relacionados em evitar a sua produção, monitorar os cereais e seus subprodutos com análises micotoxicolócicas e utilizar aditivos anti-micotoxinas (AAMs) na alimentação animal para evitar sua absorção no trato gastrointestinal, sendo este último o método mais utilizado. É neste contexto que a escolha de um bom aditivo cresce em importância e algumas questões devem estar esclarecidas, como:

1. O que é?
2. Como escolher?
3. Quando utilizar?
4. Por que utilizar?
O QUE É?

Os AAMs são substâncias adicionadas à ração animal que agem fisicamente no controle de micotoxinas e possuem o objetivo de remover (sequestrar ou biotransformar) as micotoxinas das dietas contaminadas.

Eles incluem uma ampla gama de produtos, tais como aluminosilicatos de cálcio e sódio hidratado (HSCAS), organoaluminosilicatos, bentonita, zeolitas, carvão ativado, polímeros a base de carbono, como celulose, casca de aveia, pectina, hemicelulose, entre outros. Os mais utilizados são os aluminosilicatos, os quais são compostos de material inorgânico poroso que abrigam anéis tetraedros de silicato, cada um composto de uma molécula de sílica com uma carga positiva rodeada por quatro átomos de oxigênio com cargas negativas. As micotoxinas podem ser absorvidas nessa estrutura porosa e ficam presas por cargas elétricas elementares. A taxa de adsorção irá depender do tamanho e da carga elétrica da toxina e da estrutura da argila.

COMO ESCOLHER?

De acordo com Mallmann et al. (2006) dois critérios são considerados para que um produto seja selecionado como AAM: os resultados de avaliações in vivoe in vitro.

Entretanto, o que são testes in vivoe in vitro?

• Teste in vivo: é a avaliação da eficácia dos AAMs nos animais frente a um desafio de micotoxinas. Neste teste, parâmetros como peso vivo, consumo de ração, conversão alimentar, peso relativo do fígado, níveis séricos de proteínas plasmáticas totais dos animais são avaliados.

• Teste in vitro: é a avaliação laboratorial dos AAMs, que determina a capacidade que tal produto tem de adsorver as micotoxinas presentes em um meio líquido e torná-las indisponíveis. Este teste simula a ação do AAM no trato gastrointestinal dos animais nos pHs 3,0 e 6,0 (dependendo da metodologia utilizada). É muito importante não basear-se apenas no teste in vitro, o mesmo deve estar acompanhado das comprovações in vivo(micotoxina e espécie animal específica).

Além desses critérios, outros importantes, também devem ser observados para escolha de um bom AAM, como segue:

UM AAM DEVE RESPEITAR OS SEGUINTES ASPECTOS:

1. Não interferir com outros ingredientes: o AAM não deve interferir na absorção de outros ingredientes, como vitaminas e minerais (teste comprovado in vivo);

2. Controle de Dioxinas e Furanos: Dioxinas e furanos são contaminantes ambientais altamente cancerígenos e, por isso, seguem severa regulamentação. Conforme o Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA) - (DOU de 25 de maio de 2006 – Seção 2, pág.5) o limite aceitável para AAM contendo aluminosilicatos é de 0,75 ng OMS-PCDD/F-TEQ/kg1.

3. Controle de Metais Pesados: esses compostos são metais químicos altamente reativos e bioacumuláveis, ou seja, o organismo não é capaz de eliminá-los. Conforme o MAPA - (DOU de 25 de maio de 2006 – Seção 2, pág.5) os limites aceitáveis são: Arsênico (As) 12 ppm2, Chumbo (Pb) 15 ppm2, Cadmo (Cd) 5 ppm3 e Mercúrio (Hg) 0,1 ppm3.

4. Inclusão única: a inclusão do AAM deve ser baseada no teste in vivo, pois o aditivo foi testado e aprovado nessas condições, assegurando seu desempenho no campo em situações de alto desafio.

5. Função única: sequestrar/ adsorver micotoxinas;

6. Custo baixo: a utilização estratégica de AAMs é um conceito extremamente importante nos dias atuais, onde não há necessidade de utilizá-lo 100% do tempo. O acompanhamento do desafio no campo é fundamental para seguir esta metodologia e gerar benefício econômico.

7. Acompanhar bons métodos de identificação de micotoxinas: atualmente existem métodos de diagnóstico rápido de micotoxinas (qualitativo e quantitativos) que auxiliam o monitoramento do desafio no campo. Esses testes são utilizados para acompanhar a flutuação da incidência de micotoxinas, facilitar a tomada decisão na segregação de grãos e a utilização do AAM no momento certo.

8. Assistencia técnica: um bom AAM deve vir acompanhado de uma equipe altamente especializada neste tema, a qual auxiliará na detecção e quantificação das micotoxinas, diagnóstico dos sinais a campo e recomendação do AAM quando necessário.

Deve ser específico: o AAM deve ter especificidade comprovada in vivo.

QUANDO UTILIZAR?

Os AAMs devem ser utilizados, quando existir desafios?!?!

Isso é obvio??? Sim, mas nem sempre é o que se observa no dia a dia das empresas produtoras de proteína animal. Em muitos casos, o adsorvente é utilizado com seguro (usa-se sem um diagnóstico da sua real necessidade) e em outros casos, utilizam-se AAMs não específicos para a toxina presente na alimentação. Em ambas as situações, estamos tendo prejuízos.

Em 2013, os altos níveis de chuvas prejudicaram a qualidade do milho em diversas regiões do país. No Paraná a qualidade do milho safrinha está baixa, cerca de 35% dos grãos que já foram colhidos apresentam-se "ardidos" e essa mesma condição esta sendo observada principalmente na região sul do Mato Grosso do Sul, onde 20% do milho já colhido também apresenta-se "ardido" (RURALBR, 2013).

Mas o que é milho "ardido"? São considerados grãos "ardidos" todos aqueles que possuem pelo menos um quarto de sua superfície com descolorações, cuja matriz pode variar de marrom claro a roxo ou vermelho claro a vermelho intenso. Os grãos "ardidos" em milho são o reflexo das podridões de espigas, causadas principalmente pelos fungos presentes no campo. Esses fungos podem ser divididos em dois grupos: a) aqueles que apenas produzem grãos "ardidos"; e b) aqueles que, além da produção de grãos ardidos, são exímios biossintetizadores de toxinas, denominadas micotoxinas (PINTO, 2005).

Os grãos de milho podem ser danificados por fungos em duas condições específicas, isto é, em pré-colheita (podridões fúngicas de espigas com a formação de grãos ardidos) e em pós-colheita durante o beneficiamento, o armazenamento e o transporte (grãos mofados ou embolorados) (PINTO, 2005). Nessas condições, a utilização de um AAM possivelmente será necessária, devido a grande possibilidade de quantidades significativas de micotoxinas estarem presente no milho, mas, mesmo assim, a presença de fungos não indica a presença de micotoxinas, e o contrário também é verdadeiro, a ausência de fungos também não indica a ausência de micotoxinas. Desta forma, selecionar bons fornecedores através de análises laboratoriais e acompanhamento diário, semanal ou mensal se faz necessário, pois somente assim haverá um panorama da qualidade do milho frente às micotoxinas e será possível determinar a necessidade de se utilizar ou não um AAM.

POR QUE UTILIZAR?

As micotoxinas muitas vezes causam sinais imperceptíveis no campo, tanto em aves como em suínos, os quais muitas vezes são observados apenas pelo baixo desempenho zootécnico (conversão alimentar, ganho de peso, consumo de ração...) e em outros casos causam inúmeros problemas hepáticos, reprodutivos, respiratórios, lesões no trato digestório superior e diminuição da imunidade (de acordo com cada espécie), sendo este último o mais importante, pois falhas ou diminuição das respostas a vacinais em diferentes espécies têm sido frequentemente relacionadas à incidência de micotoxinas. É neste sentido que a adição de AAMs na ração animal torna-se importante, pois os mesmos podem diminuir e isolar estes efeitos no campo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os principais métodos de prevenção de micotoxinas estão relacionados a evitar a produção dessas nos grãos de cereais, entretanto no mercado de commodities fica difícil controlar as características dos insumos utilizados. Desta forma, a adição de AAMs nas rações animais é o método mais utilizado para minimizar os efeitos dessas toxinas, impedindo sua absorção no trato gastrointestinal. A escolha de um bom AAM se baseia em vários fatores e esses devem ser questionados e analisados individualmente.

REFERÊNCIAS

MALLMANN, C. A. et al.; 2006; CRITÉRIOS PARA SELEÇÃO DE UM BOM SEQUESTRANTE PARA MICOTOXINAS, Conferência APINCO de Ciência e Tecnologia Avícolas, p. 213-224.
MINISTÉRIO DA AGRICULTURA PECUÁRIA E ABASTECIMENTO (MAPA) - Grupo de Trabalho sobre Micotoxinas - DOU de 25 de maio de 2006 – Seção 2, pág.5;
PINTO, N.F.J.A.; 2005; Grãos Ardidos em Milho. Circular Técnica EMBRAPA. Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento.
RURALBR, 2013; Disponível em:<http://agricultura. ruralbr.com.br/noticia/2013/08/chuva-prejudica-qualidade-do-milho-no-parana-e-em-mato-grosso-do--sul-4249793.html>. Acesso em: 12/09/2013

“Os principais métodos de prevenção de micotoxinas estão relacionados a evitar a produção dessas nos grãos de cereais, entretanto no mercado de commodities fica difícil controlar as características dos insumos utilizados. Desta forma, a adição de AAMs nas rações animais é o método mais utilizado para minimizar os efeitos dessas toxinas, impedindo sua absorção no trato gastrointestinal. A escolha de um bom AAM se baseia em vários fatores e esses devem ser questionados e analisados individualmente.”
Thiago Tejkowski, Coordenador Técnico Comercial Aditivos Anti--Micotoxinas da Nutron Alimentos.

  • Thiago Tejkowski

    Thiago Tejkowski

    Coordenador Técnico Comercial Brasil Controle de micotoxinas e utilização de Adsorventes da Nutron Alimentos

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