Recomendações de Balanceamento NNP (ureia)

Túnel do tempo. A possibilidade de utilização de ureia para ruminantes foi demonstrada por Loosli (1949). Estes autores alimentaram ovelhas com dietas purificadas contendo ureia como fonte única de N e observaram que a massa microbiana produzida, possuía todos os aminoácidos essenciais exigidos por não ruminantes. Há 45 anos já se sabia do potencial de utilização da ureia. Pesquisas conduzidas nos anos 60 mostraram que o rúmen é capaz de suprir toda a proteína necessária para a produção de até 4.500 kg de leite/lactação de vacas, recebendo ureia como única fonte de nitrogênio (Virtanen, 1966). Este autor alimentou seis vacas leiteiras por quatro anos consecutivos com dieta purificada contendo ureia como única fonte de N e espécie bacteriana (Firkins, 2007) .Microorganismos ruminais são capazes de sintetizar todos os aminoácidos essenciais do N microbiano 50 a 80% pode ser derivado de NH3 ruminal, 20 a 50% vem de aminoácidos pré-formados (Owens, 1983). Ureia não é a única fonte de NNP ou amônia para o rúmen. Grande parte da PB em forragens conservadas pode ser NNP. Tanto o processo de secagem para fenação como o processo de ensilagem aumentam a proporção de NNP na PB da forragem. Cerca de 10 a 15% do nitrogênio presentes em forragens frescas é NNP. Em fenos, estes valores variam de 15 a 25% e em silagens de 30 a 60%%. (Marcos Neves Pereira)

Revisão de literatura para vacas de altas produções.

Vinte e três comparações, a partir de 12 trabalhos, foram compiladas por Santos e colaboradores, (1998) com o objetivo de avaliar os efeitos da inclusão de ureia na dieta de vacas de alta produção, em substituição parcial ou total de vários suplementos protéicos. A inclusão de ureia na dieta foi de 0,4 a 1,8 da MS. O consumo de MS não foi afetado em 17, diminuiu em quatro e aumentou em duas comparações, enquanto a produção de leite permaneceu inalterada em vinte e diminuiu em três comparações devido à inclusão de ureia na dieta. O teor de proteína do leite não foi afetado em 17 comparações e foi aumentado em cinco. A produção de leite foi de 32,7 kg/dia para vacas suplementadas com ureia e 33,3 kg/dia para vacas recebendo exclusivamente fontes suplementares de proteína verdadeira. A amônia é utilizada como fonte preferencialde N por bactérias fermentadoras de fibra (Hungate, 1966). Apesar de algumas espécies de bactérias terem a capacidade de incorporar aminoácidos e peptídeos diretamente na proteína microbiana, cerca de 40 a 70% do N bacteriano passam pelo pool de amônia ruminal (Hristov & Broderick, 1994). A contribuição da amônia para o N bacteriano variou de 23 a 95%, dependendo do tipo de dieta O principal motivo da ureia não ser mais utilizada nos Estados Unidos é que a maioria dos produtores fornece silagem ou feno de alfafa como volumoso, conjuntamente com a silagem de milho e, portanto as dietas não pedem ureia por terem NNP suficiente vindo da silagem de alfafa. Geralmente, as dietas americanas possuem uma proporção de 3:1 ou 2:1(da relação silagem de milho: silagem ou feno de alfafa). Mesmo assim, a ureia nos EUA é ainda um ingrediente considerado em dietas para qualquer nível de produção, quando o limitante na dieta for proteína degradável no rúmen.

Silagem de alfafa

  • 54% do N total é NNP - média de 20 experimentos (Broderick);
  • 9,3% do MPN é NH3 N;
  • 33% é aminoácido livre;
  • 16% é peptídeo (˜ de 4 AA)

Proteína de baixa “qualidade” em forragens ensiladas

Quanto de ureia utilizar nas dietas de vacas leiteiras?

Em dietas de vacas leiteiras a recomendação clássica é trabalhar com 1% da matéria seca consumida em ureia.Porém, a melhor eficiência seria 0,6% da dieta em ureia. (Fonte: Charles Schwab, 2008).

Recomendações ao uso da ureia.

  • Todo produtor que precisa de uma ração maior ou igual a 22% de PB poderia ter parte da ração na forma de ureia. Sem problemas com desempenho ou qualquer outro fator.
  • Forragens de baixa proteína, com menos de 12% de PB vindo das forrageiras deveriam utilizar parte da proteína na forma de NNP.
  • Vacas de alta produção e no início da lactação são as categorias menos elegíveis da propriedade a trabalhar com NNP ou mais NNP na dieta. O consumo total de alimentos que deve ser alto nesta fase, pode ser deprimido trabalhando com altos níveis de ureia na dieta. Para esta categoria, recomenda-se o valor de 0,6% de ureia na dieta total. Exceto em dietas de cana de açúcar.
  • O pós parto imediato por ser caracterizado de consumo de energia e mobilização, é o pior local para ter excesso ou dieta com bastante NNP. Nestes casos o ideal é no máximo 0,3% da dieta em ureia, se não for possível deixar de utilizála.
  • Vacas no terço médio para o final de lactação são animais mais recomendados a serem suplementados com NNP. Pesquisas apontam que a eficiência alimentar em dietas com utilização de NNP neste caso pode ser aumentadas, diminuindo consumo total de alimentos sem prejuízo na produção de leite.
  • Como queremos mais ureia nas vacas de menor consumo de concentrado (meio e final da lactação), talvez o concentrado não deva ser utilizado como única fonte de ureia para os animais.
  • Regar a ureia diluída com água é a maneira mais segura de oferecê-la aos animais. O limite de inclusão técnico é maior do que o limite comercial em rações em que os animais consumam ração separado do volumoso. Problemas de rejeição.
  • Manejos onde se praticam inclusão de água na dieta (chamado sopão) a ureia deve ser evitada.

Sugestões de utilização de ureia para formulações de concentrados. O limite inferior é para as épocas em que as pastagens estão em pleno crescimento e apresentam seu máximo teor de qualidade, digestibilidade e proteína: novembro, dezembro, janeiro e parte de fevereiro para forragens tropicais e junho, julho, agosto e às vezes maio em boas chuvas para a aveia em forrageiras de inverno.

Sugestões de utilização de ureia em dietas de vacas leiteiras

Quando aumentar ou diminuir a utilização de NNP.

  • Renato Palma Nogueira

    Renato Palma Nogueira

    Zootecnista, Consultor Técnico de Bovinos de Leite na Nutron Alimentos

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