Os parasitas afetam a produtividade e causam pesados prejuízos à atividade

Já se vão 30 anos desde que a ivermectina mudou para sempre o controle de parasitas na criação animal. Com sua ação dupla, contra parasitas tanto externos quanto internos, a molécula lançada pela MSD (Merck, Sharp & Dohme) introduziu o conceito de endectocida, produto usado para controle tanto de endo quanto de ectoparasitas.

Responsável por otimização de manejo e enorme aumento de produtividade na pecuária, devidos à redução de perdas com as parasitoses, toda uma família de produtos semelhantes, chamados lactonas macrocíclicas, tornou-se tecnologia indispensável à pecuária tropical.

O tempo e o uso abusivo acabaram por acelerar a inevitável seleção de parasitas resistentes. Diante da perda de eficácia e busca de ação mais prolongada, a resposta da indústria de saúde animal foi aumentar a concentração de princípio ativo. Vimos o mercado migrar dos produtos com 1% de ativo para 2%, 3%, 5%... quem dá mais?

Se a eliminação de parasitas externos se mostra satisfatória com esses produtos concentrados, ela por outro lado cria uma sensação de eficácia nem sempre real. São os parasitas internos, vermes, principalmente dos gêneros Haemonchus e Cooperia, os mais resistentes aos endectocidas tradicionais, ainda que concentrados, mas sua presença não é notada.

Para complicar, esses parasitas estão entre os maiores causadores de espoliação dos ruminantes, em particular os jovens a partir da desmama. O gado pode até estar bonito, mas podia estar melhor, ganhar mais peso, se não fosse por essa carga parasitária resistente. Para demonstrar a presença dos parasitas internos resistentes, pequenas amostras de fezes são coletadas dos animais e analisadas por método quantitativo, que fornece contagem de ovos de vermes por grama de fezes, ou OPG. Com base nessas contagens, que podem ser realizadas na própria fazenda, é possível aferir a necessidade de tratamento e a eficácia dos antiparasitários utilizados.

A resistência parasitária está aí. Enquanto se buscam novas moléculas, o que fazer?

A chamada inovação incremental, que trata de aperfeiçoar invenções já existentes, foi o caminho desenvolvido pela MSD Saúde Animal com pesquisadores brasileiros, no campus de Jaboticabal, da Universidade Estadual Paulista (UNESP). A premissa era a de que associar moléculas, em lugar de usá-las alternadamente, resultaria em maior eficácia e adiaria o surgimento de resistência parasitária. Foi levada em conta a ação excelente da ivermectina contra carrapatos e o fato de que a abamectina, por ter utilização mais limitada, ainda apresentar ótimo efeito contra os vermes.  A pesquisa resultou em Solution 3,5% LA®, a única formulação do mercado que combina duas moléculas endectocidas: a ivermectina e a abamectina. Não se trata, aqui, de leilão de concentrações, mas da ação complementar e sinérgica entre 2,25% de ivermectina e 1,25% de abamectina. Os lotes tratados com esta formulação, em dezenas de testes comparativos realizados por pesquisadores de diferentes instituições, sempre apresentaram maior taxa de ganho de peso que os lotes tratados com outros medicamentos.

A Figura 1 mostra resultados de um experimento recente (2010) conduzido pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul e apresentado no Congresso Brasileiro de Parasitologia. Ele apresenta comparativo de desempenho entre bezerros desmamados, tratados com a fórmula combinada (Solution 3,5% LA®), doramectina 1%, ivermectina 3,15% e doramectina 3,5%.

O uso de uma formulação mais efetiva contra vermes resistentes teve retorno comprovado: o lote tratado com Solution 3,5% LA® ganhou 6 kg a mais que o segundo melhor resultado, obtido com doramectina a 3,5%. São números que demonstram o valor adicionado por melhor controle parasitário na fase de recria. Estes dados mostram mais uma vez a importância de se lidar com os parasitas de maneira planejada e encarar os endectocidas como tecnologia e investimento em produtividade.

Média de ganho em peso vivo de bezerros Nelore tratados com endectocidas comercias após a desmama. Fazenda Baunilha, Campo Grande, MS, 2010.

Figura: Média de ganho em peso vivo de bezerros Nelore tratados com endectocidas comercias após a desmama. Fazenda Baunilha, Campo Grande, MS, 2010. 

 

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