CONFINAMENTO: COMECE BEM PARA TERMINAR MELHOR AINDA

A fase inicial do confinamento, chamada de adaptação, representa um dos pontos críticos da atividade, especialmente no Brasil, em que o período de tempo que os animais permanecem no cocho ainda é relativamente pequeno. Considerando, por exemplo, um período de engorda de 100 dias, e 3 semanas de adaptação, seriam exatamente 21 % do tempo destinado a essa fase. E o que acontece na adaptação se reflete durante todo o restante do processo. Ou seja, animal que foi mal adaptado terá consequências duradouras até o dia em que for submetido para o abate (Tabela 1).

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Por outro lado, animais que passaram por uma fase de adaptação bem feita, geralmente também apresentaram os melhores índices técnicos e econômicos. No gráfico a seguir, verifica-se que o gado que consumiu mais nos primeiros 21 dias (% do peso vivo) teve melhor ganho diário ao longo de todo o período de confinamento (parte verde do gráfico). Cada ponto representa um curral com 150 cabeças, em média.

Antes de adentrarem aos currais de engorda, os animais, na grande maioria das situações, são submetidos a situações de estresse, seja nos tatersais dos leilões, durante o transporte, ou no processamento no confinamento, ou mesmo na fazenda de origem, quando são submetidos a uma condição nutricional desfavorável. Portanto, passam por períodos de restrição alimentar aguda, ou seja, de curta duração, mas que causam alterações fisiológicas importantes nos animais. Tanto é verdade, que animais recém chegados ao confinamento e que passaram por estresse anterior apresentam baixo consumo na primeira semana, não passando de 1,5 % do peso corporal, atingindo consumo normal somente na terceira ou semana em diante (Tabela 2)

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O menor consumo implica em menor produção de ácidos graxos voláteis (AGV), portanto, menor aporte de energia para o animal. Além disso, estudos recentes demonstraram que nessa fase, a absorção de acetato, principal AGV produzido no rúmen é diminuída, comprometendo ainda mais a performance futura do animal. Somado a isso, a capacidade absortiva do rúmen só é restabelecida totalmente depois de 2-3 semanas, fazendo com que erros no balanceamento e fornecimento da dieta de adaptação poderão causar sérios problemas de acidose, já que pode ocorrer acúmulo de ácidos graxos voláteis no rúmen, causando rebaixamento do pH. Desta forma, atenção muito especial deve ser direcionada para esse período, usando a dieta correta, associada a boas práticas de manejo!

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Com a evolução das unidades de engorda intensiva no Brasil, que passaram a ganhar maior escala, a dependência de alimentos volumosos passa a ser um entrave. Assim, a participação de alimentos concentrados nas formulações de dietas de bovinos aumentou consideravelmente no país. A alta produção nacional de grãos e de resíduos deu suporte aos incrementos na inclusão de grãos às dietas. Nas principais regiões produtoras do país, geralmente, o custo por unidade de energia, independentemente de sua forma de expressão (NDT, EM, ELm, ELg), é menor para os grãos, favorecendo o uso de dietas mais pesadas ou quentes, como são comumente chamadas no dia a dia por nutricionistas e pecuaristas envolvidos com a atividade de confinamento. Além disso, a manipulação de forragens, quando minimizada, permite obter melhor eficiência operacional nas etapas de mistura e distribuição da dieta, estimulando a minimização de seu uso em dietas de confinamento de maior porte. Somado a esses fatores, dietas de maior concentração energética também permitem obter maior eficiência de uso da energia metabolizável para ganho, o que significa que maior parcela da energia consumida é depositada no corpo, seja na forma de proteína ou gordura. Portanto, o que se busca com dietas de maior participação de concentrado é obter altas taxas de ganho de peso, melhor eficiência alimentar, culminando com custo de ganho de carcaça (R$/@) bastante competitivo, além de carcaças mais bem acabadas.

Embora se utilize de forma intensa subprodutos da agroindústria na formulação das dietas de confinamento, em cenários quando o preço do milho está baixo sua participação na ração total pode ser bastante considerável. Nesse caso, maior preocupação deve ser dada ao manejo alnutricional dos animais, de forma a obter consumo constante e previsível, com menor variabilidade, e, consequentemente, menor incidência de distúrbios metabólicos. Assim, a fase de adaptação torna-se imprescindível, sendo definida como o tempo em que um conjunto de ações de manejo nutricional é tomado até o ponto em que o animal pode ser alimentado com uma determinada dieta, sem apresentar efeitos adversos, em um nível de consumo que causaria acidose em um animal não adaptado. Independentemente do protocolo de adaptação empregado, que podem ser vários, o mais importante é obter, o mais rápido possível e de forma segura, padrão de consumo crescente e consistente.

Um aspecto importante é que o estresse intrínseco relacionado ao manejo de formação de lotes, ao transporte, ao jejum e à desidratação ao qual os animais são submetidos antes de chegarem ao confinamento, pode afetar de forma marcante o padrão de consumo nos primeiros dias de cocho. Além disso, o histórico nutricional prévio também determina quais cuidados tomar com os animais durante essa fase de adaptação. Portanto, devem-se tomar medidas necessárias para minimizar qualquer fonte de estresse aos animais, no sentido de permitir que apresentem, logo nos primeiros dias, comportamento ingestivo normal, sendo sempre monitorado por ferramentas auxiliares, como manejo de cocho e escore de fezes, estabelecidos para aferir se o período de adaptação está sendo conduzido de forma condizente com o planejado.

Pensando nisso, a equipe de bovinos de corte da Nutron Alimentos idealizou um núcleo específico para a fase de adaptação, hoje disponível no mercado e batizado de NutronBeef Start! Trata-se de um produto, que associado a boas práticas de manejo do confinamento, permite que os animais sejam adaptados da melhor forma possível, atingindo o pico de consumo mais cedo, e com ótima saúde ruminal.

Enriquecido com microminerais específicos e vitaminas, além de aditivos alimentares em doses ótimas, permite que o sistema imunológico seja reforçado, ajudando na mais pronta recuperação dos animais ao estresse a que são submetidos previamente à entrada nos currais de engorda. Também resultam em maior digestão da fibra, uma vez que as dietas de adaptação são mais ricas em forragem, e quanto maior a digestão da fibra nessa fase, melhor o consumo e maior o aporte de nutrientes. A modulação do consumo e a saúde ruminal também são otimizados com o núcleo, já que contém em sua composição aditivos que previnem o acúmulo de lactato no rúmen, uma vez que sua produção é inibida, além de ser utilizado por bactérias fermentadoras de lactato, que tem seu crescimento estimulado por fatores de crescimento presentes em um dos ingredientes empregados. Por fim, o núcleo permite minimizar a lipólise, ou seja, a mobilização de gordura, que ocorre naturalmente em animais debilitados, seja por estresse ou mal manejo nutricional, permitindo que retomem o crescimento e a deposição de tecidos o mais rápido possível. Associado a isso, a resposta à insulina é amplificada, permitindo que o músculo se torne sensível o suficiente para aumentar a síntese protéica, que culminará em maior ganho de peso!

Uma adaptação bem conduzida tem impacto no resultado de todo período de terminação. A receita adicional de uma boa adaptação é da ordem de R$ 7,00 por cabeça, ou seja, além de melhor desempenho em ganho, teremos aumento de rentabilidade, foco de todo esforço empregado nesses primeiros de 21 dias.

Portanto, para que o confinamento tenha um final feliz, é essencial que tenha um ótimo começo. E ótimo começo é atingido com a tecnologia NutronBeef Start!

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