ACIDOSE RUMINAL: Um problema que merece atenção especial em confinamento

Nos últimos anos o número de bovinos de cortes confinados no Brasil (Gráfico 1) tem crescido muito e a ACIDOSE RUMINAL tem tornado-se ainda mais importante no dia a dia, já que representa um grande risco ao desempenho e a eficiência dos animais confinados. Este fato deve-se ao aumento no uso de manejos mais intensivos com a redução na utilização de volumosos e maiores quantidades de concentrados (milho, sorgo, aveia entre outros) nas dietas, principalmente na fase de terminação.

Os concentrados são mais fáceis de serem armazenados e manuseados, consequentemente dietas com alta proporção de grãos são menos trabalhosas para processar, misturar e distribuir, comparando-se com dietas muito volumosas (Milton, 2000), além de serem normalmente de melhor conversão alimentar e eficiência biológica, no entanto os desafios são maiores. Muitos distúrbios metabólicos podem ocorrer no confinamento, mas pesquisadores renomados como Fred Owens (2004) apontam a acidose como um dos mais importantes para gado de corte confinado.

Definição genérica para acidose ruminal: “É um processo ocorrido devido ao uso intensivo de concentrados e grãos processados em dietas de confinamento com baixa inclusão de forragens”. O termo é devido ao principal fator ocorrido, que é a queda do pH ruminal, porém diversas outras reações acontecem durante a acidose ruminal (Figura 1).

A acidose ruminal é causada pela rápida produção e absorção de ácidos graxos voláteis, que pode acontecer pelo alto consumo de amido num curto período de tempo. O pH ruminal nessas situações cai abaixo de 5.2, sendo muito comum a presença de ácido lático, daí o outro nome pelo qual a acidose ruminal pode ser conhecida: ACIDOSE LÁTICA).

Animais confinados podem ainda sofrer de acidose crônica ou subclínica, que acontece quando o pH ruminal atinge patamares próximos de 5.4, podendo ou não o ácido lático estar presente.

Com a queda de pH ruminal, várias cepas de bactérias não suportam tais valores e morrem. A lise bacteriana pode aumentar os níveis de endotoxinas ruminais, que são em parte responsáveis por problemas de casco observados em gado confinado (Nocek, 1997). Com uma maior quantidade de endotoxinas ruminais, observa-se também o aumento de LPS (Lipopolissacarídeo - Principal componente da parede celular de bactérias gramnegativas) circulante no plasma, conforme gráfico 2. O LPS é um dos principais fatores que desencadeiam a resposta inflamatória por ativar o sistema imune e promover a sintomatologia clínica de várias doenças (Ametaj, 2010).

Um dos primeiros sinais que um lote de confinamento está com acidose é o consumo variável, chamado também de consumo em montanha russa, pois sobe muito em um dia e cai no outro.

O processamento e o tipo de grão também pode causar acidose. O amido de diferentes fontes possui taxas variáveis de degradação ruminal; quanto mais rápido o amido for degradado maior o risco de acidose. Podemos classificar os grãos da menor velocidade de degradação para a maior, da seguinte maneira (Owens, 2011):

O processamento também influencia a magnitude de queda do pH ruminal. Tamanhos de partículas menores são rapidamente fermentados, derrubando o pH mais rapidamente (Gráfico 3). Outros processamentos, como silagem de grãos úmidos e floculação disponibilizam ainda mais o amido, logo o risco de acidose também será maior.

Fatores ambientais podem predispor ao aparecimento de problemas metabólicos. Lama afeta o consumo de alimento, o que pode levar o animal a consumir mais rápido que o usual, o que leva ao início de quadro de acidose (Milton, 2000).

Outro fator importante é a qualidade de mistura. Quando o nutricionista formula uma dieta, ela deve ser a mesma que o gado no confinamento irá ingerir. Problemas com equipamentos misturadores ou seleção de ingredientes nas dietas pelos animais são fatores importantes no estabelecimento de distúrbios digestivos. A pesquisadora Mary Beth Hall foi muito feliz quando disse: “Ruminantes confinados têm pouquíssimos hobbies, e um deles é selecionar a dieta”! A linha MAXIMA de produtos Nutron para confinamentos levou em consideração todos esses processos que acontecem dentro do rúmen de bovinos confinados quando foi desenvolvida. O conjunto de aditivos, vitaminas e minerais foi desenvolvido pensando em minimizar os efeitos e riscos da acidose, melhorando consideravelmente a conversão alimentar e a eficiência biológica.

Os produtos contém níveis de vitaminas lipossolúveis recomendados para o ótimo funcionamento do sistema imune, já que, como descrito acima, podemos ter desafio maior em animais que passaram por acidose. A suplementação de vitaminas prova-se ainda mais benéfica em situações de desafio imune (Gráfico 4).

A linha MAXIMA também escolheu os aditivos específicos para atuarem no controle do consumo diário de matéria seca. Tem-se sugerido na literatura que consumos variáveis predispõem o risco de distúrbios digestivos (Galyean, 2002). Linha MAXIMA contém aditivo para minimizar a flutuação diária no consumo de matéria seca, proporcionando ambiente ruminal mais estável (Gráfico 5). O consumo é muito importante porque o ganho de peso e conseqüentemente a conversão alimentar são dependentes do consumo de energia metabolizável (NRC, 1996). Gráfico 5. Comparação do CMS (consumo de matéria seca) em kg de dois confinamentos (A e B), onde o confinamento A apresenta um bom padrão de CMS e B com grandes oscilações.

A acidose pode ser causada pelo excesso de ácido lático. Esse tipo específico de acidose geralmente é mais intenso, já que o ácido lático é muito mais forte que os outros ácidos orgânicos produzidos no rúmen. Adicionamos na linha MAXIMA aditivo que controla eficientemente as bactérias produtoras de ácido lático (Streptococcus bovis e Lactobacillus sp.), diminuindo sua população, resultando em um pH ruminal mais alto. Além disso, controlamos também bactérias que possam causar abscessos hepáticos e doenças infecciosas de casco, pois teremos ação contra essas espécies também.

O uso de várias tecnologias combinadas aumenta a eficiência alimentar, melhorando o retorno econômico da atividade. Dados de Sitta e Santos (2009) mostram que a melhor eficiência alimentar aconteceu quando utilizouse simultaneamente monensina e virginiamicina para bovinos confinados (Tabela 2).

O retorno econômico com o uso da linha MAXIMA é certo. Em situações onde o manejo é deficitário, produtos MAXIMA serão como uma apólice de seguro muito barata, diminuindo o risco e garantindo a entrega do resultado esperado. Nas situações onde o manejo está de acordo com o preconizado pela equipe técnica da Nutron, os produtos da linha MAXIMA serão necessários para atingir as metas de melhoria na conversão alimentar, produzindo-se mais carne com menor uso de insumos.

A Nutron sabe que o melhor resultado é a soma do melhor produto com o melhor manejo. Nossa equipe de técnicos é treinada para, além de oferecer produtos únicos para situações específicas, empregar no campo conhecimentos gerados não só em nossos centros de pesquisas, mas também em parceria com renomados centros de pesquisas e universidades.

  • João Danilo

    João Danilo

    Médico Veterinário, mestre em Fisiologia Animal e Coordenador Técnico-Comercial de Bovinos de Corte da Nutron Alimentos

  • Pedro Terêncio

    Pedro Terêncio

    Médico Veterinário formado pela FMVZ da USP, Coordenador Técnico de Bovinos de Corte da Nutron Alimentos

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