Milho: Como ser eficiente ao utilizá-lo ?

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    Aves

A forte demanda por alimento e aumento dos preços das matérias primas em todo mercado mundial, vem elevando os custos de produção de carnes, principalmente aves e suínos, que demandam grande quantidade de grãos.

O milho, principal ingrediente das dietas de aves e suínos, que representa 70 % dos custos de produção, é bem conhecido em termos nutricionais, mas recentes análises da composição deste, têm demonstrado alteração em seu valor nutricional, principalmente no tocante a proteína e ao amido. Este está presente nas dietas avícolas, sobretudo como fonte de energia e podendo contribuir com até 20% da proteína em uma dieta para frangos de corte. A percepção de sua composição, bem como as modificações do seu conteúdo em detrimento à variáveis atribuídas, ao tipo de híbrido, adubação, plantio, solo, colheita, secagem entre outras, pode alterar seu valor nutricional, principalmente no que diz respeito à energia, ferramenta para avaliar seu conteúdo e correlacioná-lo com seu potencial nutricional.

Alguns fatores que podem interferir na digestibilidade do milho

As principais proteínas de armazenamento no milho são zeína e kaferina (McDonald et al., 1990). Zeína é quantitativamente a mais importante e é deficiente em aminoácidos indispensáveis, como o triptofano e lisina. Existem quatro tipos de zeinas - alfa, beta, gama e delta, estas por sua vez têm um papel importante, pois encontram-se encapsulando a superfície dos grânulos de amido do milho, sendo que alfa e beta zeinas penetram no endosperma, enquanto beta e gama formam ligações cruzadas resultando em amido “hidrofóbico” (Hoffman e Shaver, 2008). Essas proteínas são responsáveis diretas pela formação da matriz externa do amido, podendo influenciar sua digestibilidade.

A adição de proteases exógenas pode representar um potencial desejável em suplementar a atividade proteolítica em animais jovens, liberando peptídeos menores e facilitando a ação das enzimas endógenas. Além de auxiliar na inativação de fatores proteináceos anti-nutritivos, derivados de encapsulamento e retrogradação do amido, geralmente atribuídos à temperatura de secagem e processos de térmicos (peletização e expansão), podem ainda degradar proteínas como zeína e kafirina (DARI, 2006). Contribuindo de forma significativa para degradação da matriz, que envolve o grânulo de amido, liberando-o para ação das enzimas endógenas.

O amido presente em mais de 65% do milho é responsável por cerca de 60% da energia metabolizável (EM) das dietas das aves (Weurding et al., 2001b) e, como tal, relativamente pequenas diferenças na digestibilidade do amido podem ter um impacto substancial sobre a conteúdo de EM da dieta. Duas moléculas são encontradas dentro de amido, amilose e amilopectina. Ambas são polímeros de d-glicose, mas são diferenciados com as ligações entre os monômeros de glicose (Carre, 2004; Tester et al., 2004). O tamanho dos grânulos de amido é fator importante na determinação grau variável (Tester et al., 2004). Depois do processo de peletização, os alimentos para animais esfriam e começa a retrogradação (Atwell et al., 1988). Durante a retrogradação, o amido volta a um estado mais ordenado, em que ambos, amilose e amilopectina formam associações de dupla helicoidal, tornando o amido dependente da relação amilose: amilopectina (Klucinec & Thompson, 1999). Essas mudanças na estrutura do amido, associadas com o aquecimento, podem alterar a posterior digestibilidade do amido e, assim, o valor energético da dieta.

Com relação ao teor de fibras, de acordo com Malathi Devegowda (2001), o milho possui 5,32% de pentosanas totais, 3,12% de celulose; 1 % de pectinas e 9,34% de polissacarídeos não amiláceos totais. Acredita-se que os componentes insolúveis dos polissacarídeos não amiláceos presentes no milho podem encapsular os nutrientes, que poderiam ser liberados pelas xilanases e celulases (Classen, 1996; Gracia et al., 2003).

Os efeitos benéficos das xilanases na utilização de nutrientes estão relacionados à redução da viscosidade da digesta, resultando em aumento da depolimerização de arabinoxilanas em componentes de menor peso molecular (Ravindran et al., 1999) ou a partir da liberação dos nutrientes encapsulados nas estruturas da parede celular, favorecendo o contato dos nutrientes com as enzimas endógenas. Previnem, ainda, distúrbios digestórios resultantes da presença de material fibroso não digerido no trato gastrointestinal de aves (Lima, 2005). Cowieson (2005), contudo, acredita que o uso de xilanase, isoladamente, sem emprego de outras enzimas exógenas como proteases, amilases ou fitase, não produz resposta semelhante às obtidas com a combinação das enzimas.

Portanto, o aproveitamento ideal do milho torna-se cada vez impactante nos custos da formulação, visto que a ineficiência no aproveitamento do seu conteúdo, principalmente no tocante a energia, contribui de forma significativa para elevação no uso de gorduras e óleos, resultando em aumento de custos e consequentemente perdas em qualidade de peletes.

O uso de enzimas que melhoram o aproveitamento do milho tem sido foco de muitos estudos para aves e suínos. Trata-se de uma grande oportunidade devido ao fato do milho ser um dos principais componentes das dietas utilizadas no Brasil. Contudo o uso de blends enzimáticos (amilase, xilanase e protease) torna-se uma ferramenta importante devido ao trabalho conjunto das enzimas, contribuindo para o melhor aproveitamento da dieta (tabela 1.)

Quais ferramentas podem auxiliar os nutricionistas a melhorar o aproveitamento do milho?

Sem dúvida, o uso de enzimas que abranja toda a percepção de fatores que contribuem com a diminuição dos valores nutricionais deste milho, e haja de forma coerente sobre estes fatores, tende a resultar em respostas mais efetivas e confiáveis ao nutricionista. O EIV (energy improvement value) é uma ferramenta desenvolvida pelas Danisco Animal Nutrition que vem a corroborar com os nutricionista, dando-os um norte com relação a qualidade deste milho.

Atualmente as empresas Danisco Animal Nutrition e Nutron Alimentos vêm trabalhando para elucidar o impacto da qualidade do milho nas dietas e como atri- Gráfico 2 buir ferramentas para mensurar o uso deste ingrediente, atrelado aos benefícios de utilização das enzimas. Essas ferramentas que auxiliam na decisão do nutricionista são o Promatest (que faz parte da equação do EIV) e EIV que tem demonstrado importante na avaliação da energia metabolizável do milho e com isso, pode impactar no desempenho dos frangos. O experimento abaixo (gráfico 1 e 2) foi realizado com objetivo de estudar os efeito da temperatura de secagem do milho e seus impactos sobre a energia metabolizável e desempenho de frangos de corte de 1 a 28 dias de idade.

É sabido que o aumento da temperatura de secagem contribui para o aumento do amido resistente e, conseqüentemente, redução no aproveitamento da energia do milho. Impactando de forma significativa o desempenho das aves (gráfico 2), com aumento da conversão alimentar.

Conclusão:

Diante de diversos fatores que podem afetar a qualidade do milho e seu aproveitamento para aves e suínos, impactando de forma significativa os custos de produção e desempenho dos animais, o uso de enzimas atreladas à essas ferramentas, que elucidam e contribuem de forma segura e eficiente para elencar a oportunidade de melhor aproveitar e utilizar o milho, levam a segurança nas formulações e conseqüentemente menor custo de produção.

  • Julio Cesar C. Carvalho

    Gerente de Produto da Nutron

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