A glicerina na alimnetação de aves

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    Aves

A avicultura é uma atividade econômica indispensável para o Brasil. Por estar presente cotidianamente na dieta alimentar da população, a produção de aves é de extrema importância no cenário do País. Devido ao cultivo de aves ter atingido tamanha proporção no mercado brasileiro, as empresas produtoras desse segmento visam fornecer cada dia mais, qualidade em seus produtos com foco na segurança alimentar, alinhando o serviço que prestam à responsabilidade ambiental. Em decorrência do melhoramento genético que as linhagens atuais de frango de corte são submetidas, houve uma evolução na capacidade dos animais em converter alimentos em músculo – esse desenvolvimento proporciona maior rendimento em cortes nobres, num curto espaço de tempo. No entanto, tais benefícios alcançados pelo frango moderno exigiram mudanças nos valores nutricionais das dietas, principalmente em energia, proteína e aminoácidos.

A nutrição possui um peso significativo nos custos de produção dos animais e, por esse motivo, há uma constante busca por novos ingredientes que possibilitem bons índices de desempenho, com baixo custo. Com a crescente produção do biodiesel, um novo produto energético surgiu com potencial para a nutrição animal.

Conhecida como Glicerina Bruta, um co-produto do biodiesel (a obtenção do biodiesel e da glicerina ocorre de acordo com a figura 1), o novo ingrediente vem despertando grande interesse por parte dos avicultores, uma vez que sua formulação pode construir um insumo rico em energia e com alta eficiência de utilização pelos animais - 4.320 kcal de energia bruta por quilo para o glicerol puro. Na literatura atual, ainda encontramos poucos estudos sobre o uso do novo produto na dieta de animais, porém com os poucos trabalhos já publicados, o resultado do efeito da glicerina - oriunda de diferentes fontes e características, como de carcaça, de carne de suínos e aves, ou características químicas – comprova seu desempenho. O nutricionista Park

Waldroup (2006) demonstrou que animais com até 16 dias de idade, não apresentaram problemas quando se administrou até 10% de glicerina na dieta. Entretanto, quando for usado em todas as dietas, até o abate, este nível não deverá ultrapassar 5%, pois afeta o consumo da dieta, consequentemente o desempenho dos animais. Cerrate et al. (2006) confirmaram as observações de Waldroup (2006) quando verificaram que a inclusão de 10% de glicerina comprometeu o desempenho e o rendimento de carcaça de frangos Cobb 500. Os autores acreditam que as perdas de desempenho e de qualidade de carcaça dos frangos teve como causa a dificuldade delas de fluir nos comedouros, uma vez que a qualidade dos peletes (granulado) ficou prejudicada, além de provocarem alta produção de excretas líquidas (diarreia), o que umedeceu mais a cama e causou desconforto e estresse às aves.

Para regularizar a utilização da glicerina bruta na alimentação animal, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento estipula que o ingrediente deve conter ao máximo 150 ppm de metanol, 12% de umidade e no mínimo 80% de glicerol. Além disso, os valores de sódio e potássio também devem ser controlados. Isso porque, o metanol em excesso é tóxico aos animais e pode causar cegueira em frangos de corte. Essa toxidez é provavelmente devida a sua mobilização em formaldeído, que causa efeitos danosos nas células da retina. Outro resíduo importante e que deve ser controlado é o sódio, que em excesso pode causar um desbalanço eletrolítico no animal (Cerrate et al. 2006).

A inclusão de 10% de glicerina bruta na dieta pré-inicial de aves e, 5% nas demais fases, vêm se mostrando interessante na maioria das pesquisas, no entanto, por ser um ingrediente novo e com poucos dados científicos, ainda é necessário cautela e muitos estudos para comprovar e garantir sua utilização de forma viável.

  • Sabrina Coneglian

    Sabrina Coneglian

    Sabrina Coneglian é Zootecnista, Doutora em Nutrição de Ruminantes pela Universidade Estadual de Maringá e integrante do Departamento Técnico da Serrana Nutrição Animal.

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