Um mergulho próspero

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    Agronegócio

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Com estrutura ampla, para atender tanto o mercado interno como o externo, o Acre quer fugir do mito do exótico e fornecer peixes de água doce de qualidade para consumidores de grande porte. Pronto para entregar o volume e a frequência exigidos, o Estado se prepara, por meio de uma empresa de capital público, privado e comunitário, a Peixes da Amazônia S/A, para ser o ‘endereço do peixe na Amazônia’.

 

Na ponta do Brasil, a região mostra, pouco a pouco, a sua força na área de proteína animal. A localização estratégica torna possível o fácil comércio pelo caminho do Oceano Pacífico, além de ainda possuir uma estrada com 1.300 quilômetros de extensão, que conecta o País diretamente ao Peru, nação carente de peixes de água doce.

 

Com um complexo de 63 hectares – só de lâminas de água são 40 hectares –, composto por uma fábrica de ração, um frigorífico e um laboratório de produção de alevinos, este já é o maior projeto de cultivo de peixes de água doce do Brasil. A meta de produzir 20 mil toneladas de pescado ao ano deve gerar 1,2 mil empregos diretos para a região, além de colocar o Estado como destaque no mapa da piscicultura brasileira.

 

Por meio do aporte financeiro dos grandes produtores e dos pequenos oferecendo seus produtos, os cooperados demonstram fidelidade, ganham relação comercial e ainda triunfam como sócios. “Dessa forma, toda a cadeia produtiva passa a fazer parte da empresa”, declara Inácio Netto, Diretor-presidente da Agência de Negócios do Acre (ANAC), que oferece o suporte estadual para o projeto.

 

O centro de geração de alevinos, com 127 tanques, é focado na produção exclusiva de espécies de peixes nobres, como o pintado, o pirarucu e o tambaqui. Dessa forma, os sócios da empresa conseguem obter espécies mais em conta, o que gera um investimento promissor, com mercado garantido e boa margem de lucratividade.

 

“Contar com toda essa estrutura abre espaço para os nossos produtos, mesmo em um segmento competitivo, pois oferecemos qualidade com custo baixo de produção”, acrescenta o Diretor-presidente da Peixes da Amazônia S/A, Fábio Vaz.

 

Uma geografia privilegiada

O projeto ainda está no início – os produtos acabados começaram a ser vendidos em abril e o complexo não trabalha em sua capacidade total –, mas a vontade de crescer não deixa dúvidas de que os ideais serão alcançados. “Não queremos que o peixe seja apenas uma commodity. Pretendemos facilitar a vida do varejo, como é do caso dos restaurantes, a partir da entrega de cortes de forma especializada e personalizada”, conta Fábio. Isso é possível porque a estrutura completa permite que todo o processo de vida do peixe, até seu resfriamento e preparo para consumo, seja realizado dentro da empresa.

 

Para reforçar a intenção da companhia, várias empresas de grande porte já foram convidadas a conhecer o complexo. Seus integrantes saíram dali com produtos para degustação e garantia de entrega, caso o negócio fosse fechado. “Vamos mostrar que o Acre tem condições de atender o País”, diz o Diretor-presidente da ANAC. “Desejamos fechar contratos seguros para ambos os lados. O mercado quer volume, quer frequência”.

 

Vale lembrar que o pescado é a proteína animal mais saudável e consumida no mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, a ingestão mínima chega a 14,50 kg por habitante/ano. Junto à meta do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), de o País se tornar um dos maiores produtores do mundo até 2030, o Acre trabalha para ser referência. A piscicultura no Estado já aponta números expressivos desde 2011, quando era registrada uma produção anual entre quatro e cinco mil toneladas.

 

O clima favorável, a disponibilidade de recursos hídricos e a atividade sustentável que preserva as florestas são alguns dos fatores que auxiliam o Estado nessa questão. Além disso, o Acre ainda é beneficiado por um programa estruturado de apoio à produção familiar e pela sua posição geográfica estratégica que, por meio da estrada Interoceânica, fornece acesso aos grandes mercados consumidores da América do Norte e da Ásia, o que traz ganhos logísticos em relação aos principais portos do Brasil.

 

Embora o foco no momento seja difundir seu nome no mercado nacional, a partir de maio do próximo ano a empresa pretende expandir seus horizontes. Inclusive, a participação na Feira de Bruxelas apresentará seu produto também para o exterior. “Já possuímos conversas com a Espanha e com outros países no caminho do Pacífico”, acrescenta o Diretor.

 

Estado comprometido

O Governo do Estado do Acre é essencial para o crescimento do novo projeto. O investimento em proteína animal faz com que esta seja uma das cadeias prioritárias da produção da localidade, juntamente com frangos, suínos, ovinos e bovinos de leite.

 

“Articulamos uma forma de realizar esse trabalho de forma comunitária. Os grandes produtores ‘colocaram a mão no bolso’ e entraram na empresa como investidores. O modelo vem sendo um sucesso”, afirma Inácio Netto.

 

A parceria público-privado-comunitário, proveniente por meio da ANAC, contou com um investimento de mais de R$80 milhões, entre recursos públicos e privados, no complexo de piscicultura do Acre, localizado em Senador Guiomard. Um total de 25% das ações da empresa pertencem à Central de Cooperativas dos Piscicultores do Acre (Acrepeixe), que representa 2,5 mil famílias de pequenos piscicultores.

 

Um parceiro essencial

Para um projeto de sucesso, uma boa parceria também é fundamental. É por isso que a Peixes da Amazônia S/A conta ainda com a participação da Nutron, que fornece toda a parte de micronutrientes e premixes para a fábrica de ração do complexo.

 

“A Nutron possui um know-how muito grande. Precisamos dessa formulação específica para manter a nossa qualidade e agilidade. Por isso, consideramos a assistência tão importante”, aponta o Diretor-presidente da Peixes da Amazônia S/A, Fábio Vaz.

 

Com o auxílio de uma fábrica de ração que utiliza tecnologia de última geração – é a primeira no Brasil especializada em peixes carnívoros –, a Peixes da Amazônia S/A e a Nutron conseguem substituir, com vantagens, as rações disponíveis no mercado com uma excelente conversão alimentar e um custo de produção mais equilibrado. A tecnologia presente faz com que a capacidade chegue de 1 para 1 na conversão alimentar.

 

“A Peixes da Amazônia é um projeto que impressiona não só pela grandeza, mas, sobretudo, pela sua formatação. É uma empresa âncora, que está impulsionando de forma sustentável, a atividade de criação de peixes nativos amazônicos”, destaca Hilton Oshima, gerente de negócios de Aquacultura da Nutron.

 

Para Hilton, a participação da Nutron neste projeto é essencial. “Queremos contribuir com o sucesso através da Nutrição Nutron Aqua e ações na área de produção e oportunidades novas de negócios. O aporte de expertises é destacado desde a sua concepção, com a participação da equipe do Projeto Pacu*.”.

 

 

 

  • Izadora Pimenta

    Revista NT

referências

Mais incentivo para a proteína animal

Outras empresas nos mesmos moldes da Peixes da Amazônia S/A também ajudam a impulsionar a produção de Proteína Animal no Acre. Uma delas, a Dom Porquito S/A, caminha para ser a maior exportadora de carne suína do Norte Ocidental. Na ovinocultura, a Cordeiros da Amazônia S/A conta com um mercado promissor, enquanto a Juruá Peixes S/A ajuda a fomentar a piscicultura na região do Alto Juruá.

 

Projeto Pacu

O Projeto Pacu é um dos maiores provedores de conhecimento em aquicultura do país. São 25 anos de experiência, com maciços investimentos em desenvolvimento tecnológico para produção de peixes.

Conheça mais sobre em: http://www.projetopacu.com.br

 

Este artigo está na edição 23 da Revista NT. Leia na íntegra aqui.

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